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Aumenta restrição a caminhões em São Paulo

por Thalita Pires, da RBA publicado 01/12/2011 20h10, última modificação 01/12/2011 20h11

Começou nesta quinta (01) a restrição para caminhões entre 4h e 22h na Marginal Pinheiros e outras vias da Zona Sul de São Paulo. A nova proibição vale de segunda a sexta-feira. Até ontem, o horário restrito ia de 5h às 21h. Nos sábados, a regra não muda: os caminhões não podem passar entre 10h e 14h. As multas começarão a ser aplicadas no próximo dia 8. A infração vale 4 pontos na carteira e a multa é de R$85,12.

Os caminhões de transporte de máquinas, equipamentos e materiais básicos para a construção civil terão o trânsito excepcionalmente autorizado das 10h às 16h nas vias cujos horários de restrição foram ampliados. Será mantida a liberação por período integral dos Veículos Urbanos de Carga (VUCs), em todas as vias.

O aumento de duas horas por dia na proibição de circulação em causa ainda mais problemas para a distribuição de bens em São Paulo. Mostra, também, que o espaço liberado pelos caminhões com a aplicação das restrição anterior foi rapidamente ocupado por outros tipos de veículos, tornando-a inútil. 

O objetivo da medida é nobre: obrigar que veículos de grande porte que passe por São Paulo para chegar a outros destinos use o Rodoanel e não as Marginais e a Av. dos Bandeirantes. Nisso, até o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de São Paulo concorda. "Algo tem que ser feito para que os caminhões que estão apenas de passagem usem o Rodoanel", afirma Fancisco Pelucio, presidente da entidade. "Mas quem vai abastecer a cidade se os caminhões não podem circular? O que acontece é que a carga de uma carreta acaba dividida em 10 veículos menores, de circulação liberada, causando mais trânsito e poluição", acredita. De acordo com Pelucio, não houve negociação com a Prefeitura antes da medida ser aplicada. Ele afirma ainda que a Prefeitura planeja aumentar a restrição para a Marginal Tietê em janeiro de 2012.

O problema é que, como o Rodoanel ainda não está completamente construído (e não há notícia de quando estará pronto), seu uso pode tornar alguns caminhos muito longos, fazendo com que os motoristas prefiram usar as marginais. A cobrança de pedágio - não prevista no projeto inicial da obra - é outro motivo para evitar a via. 

Há uma outra questão, ainda mais delicada. Apesar de causarem problemas no tráfego, caminhões são necessários para a distribuição de produtos, local e nacionalmente. São Paulo é um ponto importante de passagem desses veículos. Só que, obviamente, eles não podem usar nenhum outro meio de transporte, ao contrário dos motoristas de carros. A menos de um ano das eleições municipais, isso soa como medida eleitoreira para agradar a eleitores que possuem carros, que, em São Paulo, são maioria. Com medidas dessa natureza, não-negociadas e imediatistas, o modelo de mobilidade urbana da capital paulista não vai mudar.