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Patrimônio público ameaçado

Desmonte dos bancos públicos afeta toda a população pois prejudica o financiamento da habitação, agricultura, obras de infraestrutura, projetos de geração de renda e políticas sociais
por Ivone Silva* publicado 05/07/2018 14h16, última modificação 05/07/2018 15h44
Desmonte dos bancos públicos afeta toda a população pois prejudica o financiamento da habitação, agricultura, obras de infraestrutura, projetos de geração de renda e políticas sociais
Cesar Itiberê/PR
governo temer

Para Ivone Silva, todo o país perde com desmonte privatista planejado pelo governo Temer

Brasil 247Nesta quinta-feira (5) trabalhadores se unem no Dia Nacional em Defesa das Empresas Públicas.

Eletrobras, Petrobras, Sabesp, Metrô, Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras empresas estatais estão ameaçadas de privatização pelo governo de Temer. Todo o país perde com esse desmonte.

O desmonte dos bancos públicos, por exemplo, afeta toda a população porque prejudica o financiamento da habitação, agricultura, obras de infraestrutura, projetos de geração de renda e políticas sociais, entre outros. No país, somente a Caixa reduziu em mais de 10 mil e o Banco do Brasil em mais de 11 mil o número de funcionários, nos últimos dois anos.

Os bancos públicos desempenham um papel fundamental na economia brasileira, pois são um importante instrumento de política econômica e de promoção ao desenvolvimento econômico e social. São responsáveis por 56% do crédito no país, percentual que vem crescendo muito desde a crise de 2008 quando a atuação destes bancos foi fundamental para amenizar os impactos da crise no Brasil. No entanto, esta atuação tão importante vem sendo atacada pelo atual governo. Nos últimos 12 meses o crédito oferecido pelos bancos públicos teve queda de 3,7%.

O que fundamenta as ações do governo Temer para agir contra os bancos públicos é a visão de que o setor privado e o mercado podem resolver todos os problemas econômicos do país. Associado a essa visão liberal conservadora da economia está a sua total insensibilidade social: não importa o déficit habitacional, o desemprego, se jovens não têm acesso às universidades etc.

A economia brasileira passa por um momento grave, com forte retração da atividade econômica, elevação do desemprego e queda na renda das famílias. As perspectivas futuras não trazem esperanças para a população, visto que dia após dia são anunciadas intenções de medidas regressivas, como endurecimento das regras da Previdência, congelamento dos gastos públicos primários, inclusive com Saúde e Educação, precarização da legislação trabalhista, entre outras.

Essa agenda irá aprofundar a recessão na medida em que enfraquece o mercado interno e a infraestrutura social e econômica que nos fizeram avançar na última década. Ao mesmo tempo que o saldo de crédito vem se retraindo no Brasil, as taxas de juros cobradas de famílias e empresas apresentam patamares absurdos. Os juros do cheque especial, por exemplo, atingiram 321% ao ano. As taxas do rotativo do cartão de crédito chegaram a 331% ao ano. São recursos drenados do bolso da classe trabalhadora, do caixa das empresas e do fundo público diretamente para engordar o lucro do sistema financeiro.

Nesse sentido, é urgente que alternativas para a saída da crise sejam construídas e que passem pela retomada da expansão do crédito para setores prioritários como moradia popular, agricultura familiar, pequenas e médias empresas etc. Tais medidas contribuiriam ao mesmo tempo para fortalecer a economia, gerar empregos em setores intensivos em mão de obra, dinamizar o mercado interno e amenizar graves problemas sociais do Brasil como o déficit de moradias, a falta de acesso a terra e também a alta dos preços dos alimentos.

Há alternativas concretas à disposição dos formuladores da política econômica do governo, como a redução da taxa Selic, a utilização dos bancos públicos para rebaixar o spread bancário e elevar o crédito, a liberação de depósitos compulsórios com garantia de aplicação em áreas prioritárias. Basta vontade política para implantar tais medidas.

* Ivone Silva é presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

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