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Ajuste Fiscal

Frei Betto: ‘Solução para o governo equilibrar as contas é cobrar sonegadores’

Teólogo e assessor de movimentos sociais afirma que fazendo os ricos devolverem o que devem ao fisco será desnecessário mexer no bolso do trabalhador
Publicado por Redação RBA
16:26
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Wilson Dias/ Agência Brasil
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Para Frei Betto, é preciso cobrar as empresas sonegadoras para que elas “parem de lesar o povo brasileiro”

São Paulo – “Estou propondo e dizendo como o governo pode conseguir R$ 19 bilhões”, disse o assessor de movimentos sociais Frei Betto nesta terça-feira (14), em sua coluna na Rádio Brasil Atual.  Ele abordou o tema ajuste fiscal com uma proposta para que o Brasil possa equilibrar as contas públicas, apenas cobrando os sonegadores que ficam livres do fisco.

“Todo mundo sabe que quem paga imposto pode cair na malha fina, daí a pessoa vai à Receita Federal e acerta as contas. Mas quando se trata de uma grande empresa, como aquelas investigadas pela Operação Zelotes, ela cai na malha grossa, bastando ir ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que agora está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.”

“Os grandes devedores ficam livres de pagar impostos. Sonegam milhões, mas têm que deixar uma caixinha de R$ 500 mil no bolso dos conselheiros. Essa devassa no Carf calcula que as fraudes cometidas nos últimos anos podem chegar a 19 bilhões. Um bilhão a mais que o corte dos direitos trabalhistas previsto no ajuste fiscal pouparia para o governo.”

Frei Betto conclui que é preciso coragem da presidenta Dilma Rousseff para cobrar as empresas de forma que elas parem de lesar o povo brasileiro, e que os R$ 38 bilhões almejados pelo ajuste fiscal anunciado pelo ministro Joaquim Levy, da Fazenda, chegariam logo aos cofres do Tesouro.

O colunista lembrou quando a presidenta disse que as finanças nacionais estavam indo mal, e avalia que ela errou ao colocar Joaquim Levy para cuidar da economia, tendo que economizar para não ficar no vermelho. “A meta deste ano com esse ajuste é engordar o caixa do governo com mais R$ 66 bilhões, que equivalem a 1,2% do PIB previsto para 2015. É preciso garantir o superávit primário”.

Caso o Congresso aprove o ajuste, o governo arrecadará da população cerca de R$ 38 bilhões oriundos do aumento de impostos, como o PIS, e a volta da Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), que aumentará o preço do combustível. “Vai significar para nós, consumidores, que vai ficar tudo mais caro, porque tudo, no Brasil, é transportado por caminhões, sobretudo os alimentos”, afirmou.

Segundo Frei Betto, o setor elétrico também está incluso no aumento, deixando a conta de luz mais cara. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Importações (II) estão envolvidos no acréscimo. “O governo espera ainda obter R$ 18 bilhões com o corte de direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, a desoneração da folha de pagamento e a pensão viuvez. Talvez o Congresso não aprove essas medidas. Há uma intensa discussão, mas se passar, o governo não vai arrecadar os R$ 18 bilhões. A tendência é arrecadar apenas R$ 3 bilhões”, afirma.

 

Ouça a coluna na íntegra para a Rádio Brasil Atual