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Populações rurais se unem para enfrentar crises climáticas e sanitárias

Sociedade civil se reúne para traçar planos de enfrentamento de crises, com objetivo de atender necessidades básicas em áreas frágeis da América Latina

arquivo/ebc
Além da fragilidade climática, essas regiões concentram grande parte de populações vulneráveis, que enfrentam, inclusive, problema de acesso à água

São Paulo – Populações rurais, por meio de organizações da sociedade civil, estão unidas para traçar planos estratégicos de enfrentamento de crises climáticas e sanitárias, e garantir o atendimento das necessidades básicas a humanos que vivem nessas áreas. O projeto nasce com nome de “Daki – Semiárido Vivo”, e será lançado oficialmente na terça-feira (18), em um webinar transmitido no Brasil pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que integra as ações.

Existem três grandes áreas mais suscetíveis às secas na América Latina. São elas: o Grande Chaco, entre Argentina, Paraguai e Bolívia; o Semiárido nordestino brasileiro; e o Corredor Seco da América Central, que passa por sete países. Essas regiões são especialmente frágeis em relação às mudanças climáticas, bem como a crises sanitárias como a pandemia de covid-19.

“Nestas regiões, vive uma população rural dedicada à agricultura familiar, que tem muitas limitações para viver em condições minimamente humanas e para satisfazer as necessidades básicas por alimento, água, serviços de saúde e acesso à renda, entre outras”, afirma em nota a ASA. A iniciativa conta com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Articulação

Já existem intercâmbios entre movimentos sociais destas regiões. Agora, as melhores práticas e iniciativas, que partem do projeto anterior Agricultura Resiliente ao Clima (CRA), devem ganhar amplitude e projeção. Inicialmente o Daki – Semiárido Vivo aglutinará experiências por quatro anos. “Será com a intenção de capacitar técnicos e agricultores para que acompanhem e orientem a transição de um sistema agrícola convencional para um sistema resiliente ao clima”, prossegue a ASA.

O coordenador da Daki – Semiárido Vivo, Antonio Barbosa, que também atua em outros programas da ASA, comemora a realização da articulação continental. “Esta iniciativa coloca a ASA em outro patamar que permite, por meio das experiências das organizações da sociedade civil, influenciar na política pública dos países latinos. Além das parcerias com as organizações, este projeto têm parcerias com as universidades e centros de pesquisa. Posso citar a Embrapa, no Brasil; o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na Argentina; e o Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Floresral (Centa), em El Salvador.”

Fragilidade

Além da fragilidade climática, essas regiões concentram grande parte de populações vulneráveis, que enfrentam, inclusive, problema de acesso à água. “As regiões selecionadas estão entre as mais pobres de cada país. No Brasil, a região Nordeste é a área semiárida mais populosa do mundo e abriga 59,1% de todos os brasileiros em extrema pobreza do país (9,6 milhões de pessoas). No Nordeste, estão 32,7% dos municípios com alta vulnerabilidade alimentar e nutricional do Brasil”, explica a ASA.

“Na Argentina, a região semiárida do Chaco tem 80% de seus moradores na pobreza, com alta incidência de pessoas desnutridas, uma das consequências da fome (…) Nas áreas do Corredor Seco da América Central, 2,2 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza e vulnerabilidade climática. Deste total, 54% dependem da produção de grãos básicos – milho e feijão – como principal meio de subsistência”, completa.