audiovisual e consciência

Cineastas discutem a importância do cinema para a questão ambiental

“Com a crise climática que vivemos, com a velocidade da destruição que testemunhamos, sentimos a necessidade de trazer assuntos reais como devastação, garimpo ilegal, genocídio indígena e exploração sexual infantil”

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Cena do filme "Ruivaldo, o homeme que salvou a Terra", de Jorge Bodansky, que participou do debate

São Paulo – Em debate virtual nesta sexta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, a 9ª Mostra Ecofalante promoveu o encontro dos cineastas Fernando Meirelles, Estela Renner, Estêvão Ciavitta, Jorge Bodansky, Vincent Carelli para debater a relevância do cinema em relação às questões ambientais (assista a íntegra no vídeo abaixo). A mediação foi da documentarista e jornalista Flávia Guerra.

Abrindo as participações, a diretora e roteirista Estela Renner, conhecida pela recente minissérie Aruanas, da Rede Globo, entre outras produções, iniciou o debate intitulado “O Papel do Cinema na Comunicação de Questões Socioambientais”. “Com a crise climática que vivemos, com a velocidade da destruição que testemunhamos, sentimos a necessidade de trazer assuntos reais como devastação, garimpo ilegal, genocídio indígena e exploração sexual infantil”, disse, lembrando de temas que compuseram seu mais recente trabalho.

Na sequência, Estêvão Ciavatta, diretor, roteirista, produtor e sócio-fundador da Pindorama Filmes, falou de sua carreira e de produções premiadas como Um Pé De Quê?, feita em parceria com sua companheira, a apresentadora e atriz Regina Casé. “Em termos de transformação, o cinema impacta muito, mas a televisão é importantíssima, por ter programas voltados para a cidadania”, comparou.

Fernando Meirelles, diretor e produtor de filmes como Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira e O Jardineiro Fiel, fez um relato pessoal de seu envolvimento com a temática do ambientalismo. “Comecei a me informar sobre mata ciliar a partir de filmes. Tenho uma fazenda que era de pasto e mudei, plantei viveiros, comecei a plantar todo ano milhares de mudas”, disse, sobre a influência do cinema na formação de sua própria responsabilidade ambiental.

“Acabei participando de uma campanha contra alterações no Código Florestal, me aproximei da Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente), acabei conhecendo pessoas que lidam com isso. Ajudei a Marina em sua primeira campanha, em 2010 e, daí pra frente, tenho feito pequenos e grandes projetos, como Xingu, com o Cao Hamburguer, todos os vídeos oficiais da Rio+20 etc.”, completou.

Problemas crescem

O cineasta e indigenista Vincent Carelli fundou o projeto modelo Vídeo nas Aldeias, em 1986. A proposta segue a luta de povos indígenas como forma de documentação da identidade originária em defesa dos patrimônios através da documentação em audiovisual. “Na década de 1970 não se falava em meio ambiente. Tive um convívio profundo com o cotidiano de uma aldeia e pude viver essa questão”, conta, do início de sua carreira.

“Daí pra frente minha vida foi totalmente envolvida com questões indígenas. Toda a minha militância tem a ver com conter predadores de todo o tipo, preservar territórios. O projeto foi fazer cinema com índios, para índios e também por eles. A ideia foi encaixar o cinema nessa realidade”, completou.

Já Jorge Bodansky, que dirigiu clássicos do cinema nacional como Uma Transa Amazônica (1974), Jari (1979) e O Terceiro Milênio (1980), falou sobre como vê a questão ambiental ontem e hoje. Seu mais novo projeto, Ruivaldo, o homem que salvou a Terra (2019), trata justamente da luta de um povoado no Mato Grosso do Sul para sobreviver a catástrofes ambientais.

“O que vejo é que os problemas só aumentam”, disse. “Que elite é essa que temos? Independentemente do regime de governo, sempre projetos absurdos jogados de fora para dentro, impostos para a Amazônia, sem levar em conta a população que vive lá, que recebe tudo na cabeça e tem que se virar. Seja índio, ribeirinho, mesmo nas cidades (…) Não aprendemos nada”, completou.

Assista ao debate completo: