Ecofalante

Mostra on-line de cinema marca Semana do Meio Ambiente em tempos de isolamento

Além de debates com cineastas e cientistas, evento exibirá títulos nacionais e internacionais, alguns inéditos, que abordam devastação, pandemia, saúde e crise econômica

divulgação
Imagem do filme "A Grande Muralha Verde", do britânico Jared Scott, que conta com produção do brasileiro Fernando Meirelles

São Paulo – De hoje (1º) até sexta-feira (5), diversas iniciativas de análises, denúncias e conscientização das questões ambientais marcam a Semana Mundial do Meio Ambiente. Neste contexto, ocorre a Mostra Ecofalante, com programação gratuita e totalmente on-line, devido à pandemia do novo coronavírus.

A mostra, porém, está organizada em um calendário um pouco diferente, a partir de quarta-feira (3) e até segunda (8). Serão ao todo cinco filmes que abordam temas como conservação ambiental, mudanças climáticas e economia, saúde e pandemia. “Não poderíamos deixar a Semana do Meio Ambiente passar em branco, especialmente neste momento em que a pandemia e a crise política e econômica têm amplificado problemas”, diz o diretor da mostra, Chico Guariba.

O evento está em sua nona edição, e já faz parte do calendário da cidade de São Paulo. Agora em formato exclusivamente on-line, a expectativa é de ampliar o público para outras regiões.

Cena do filme “Ebola: Sobreviventes”, de Arthur Pratt

Programação

Na quarta-feira, às 19h, uma live com o diretor da mostra, Chico Guariba, e Laís Bodansky, diretora-presidente da SPcine fara as vezes de apresentação do evento ao público. Em seguida, será transmitido o longa-metragem Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra (2019), de Jorge Bodansky e João Farkas. A obra trata da luta pela sobrevivência de moradores da região do Rio Taquari, em Mato Grosso do Sul, que enfrentam assoreamento das margens do rio e frequentes inundações.

Na quinta-feira, serão exibidos, a partir das 17h, os filmes Golpe Corporativo (2018), de Fred Peabody, e Ebola: Sobreviventes (2018), de Arthur Pratt. O primeiro trata de abusos e influências de corporações empresariais nas democracias; a construção de processos de sabotagem provocam efeitos nefastos, como a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Já o segundo filme aborda a epidemia de Ebola em Serra Leoa.

Na sexta-feira, às 17h, será a vez de Amazônia Sociedade Anônima (2019), de Estêvão Ciavatta. O filme mostra a união entre índios e ribeirinhos para salvar a floresta de máfias de roubo de terras e desmatamento ilegal na Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará.

Antes do filme, às 15h, ocorre um debate para marcar o Dia Internacional do Meio Ambiente. Participam os cineastas Fernando Meirelles, Jorge Bodansky e Estevão Ciavatta para discutir o tema “O papel do cinema na comunicação de questões socioambientais”. Já às 19h, outro debate: “Conservação: O ataque ao meio ambiente e aos povos tradicionais”, com presença de ambientalistas e agentes da Justiça que trabalham com o tema.

No sábado, às 17h, é a vez do longa britânico que tem produção assinada por Fernando Meirelles, A Grande Muralha Verde (2019), de Jared P. Scott. O longa acompanha uma cantora e ativista do Mali em uma jornada em defesa da construção de um grande cinturão verde no continente africano.

No mesmo dia, às 19h, Fernando Meirelles participa novamente de um debate com o cientista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo. O tema será “Mudanças Climáticas: desertificação, conflitos, migrações e outros impactos imediatos”.

No domingo, o professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Ladislau Dowbor participa, com outros nomes a confirmar, de uma live para discutir o tema: “System Error: como o atual sistema econômico leva à destruição ambiental, ao fim do trabalho digno e ao abalo da própria democracia”.

Por fim, na segunda-feira, o biólogo e epidemiologista Átila Iamarino encerra o ciclo, ao lado do médico sanitarista Douglas Rodrigues, às 19h, conversando sobre “Como comunicar em tempos de crise sanitária e fake news“.