Retrocessos

Comemoração pelo Dia da Mata Atlântica fica inibida diante das ameaças de Bolsonaro

Bioma vê redução no desmatamento, mas, para diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, a luta precisa ser constante para frear a "destruição" imposta pelo próprio poder público

Tânia Rêgo/EBC
Fruto de uma luta constante pela preservação, nove dos 17 estados alcançaram desmatamento zero. Mas ruralistas e novo governo ameaçam essas conquistas

São Paulo – Esta segunda-feira (27) marca o Dia da Mata Atlântica, em que se comemora não apenas a preservação desse bioma, mas a recente redução do desmatamento verificada pelo Atlas da Mata Atlântica, que apontou uma queda, entre 2017 e 2018 , de 9,3% da devastação florestal com relação ao período anterior, 2016 e 2017. A marca, por sua vez, já tinha sido o menor índice de desmatamento registrado pela série histórica produzida pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Um resultado, de acordo com o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, que é fruto de uma “luta constante” e que até mesmo “impressiona, diante da cultura de degradação no Brasil desde que o branco chegou”, como descreve à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Ao todo, 3.429 municípios fazem parte do bioma, dentre os mais de 5.570 que compõem o território do país.  A série histórica indica ainda que nove dos 17 estados brasileiros foram agrupados no nível de desmatamento zero.

Ainda assim, Mantovani é enfático ao dizer que apesar dos dados positivos, o atual governo de Jair Bolsonaro ameaça a continuidade das políticas de preservação ambiental, que têm também sido alvos dos ruralistas,  ávidos para flexibilizá-las. “Simplesmente tudo o que está acontecendo hoje no governo, infelizmente, é de destruição. Destruir o Sistema Nacional de Meio Ambiente, toda a legislação que temos até hoje e as estruturas, acabando com os conselhos, como o Conselho Nacional de Meio Ambiente”, alerta o ativista do Mata Atlântica.

Acompanha a íntegra da entrevista