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Gestão Covas descumpre acordo e não reabre unidades de saúde em São Paulo

Ministério Público pedia a abertura imediata das unidades, com a recontratação dos funcionários
por Redação RBA publicado 14/06/2018 12h27, última modificação 15/06/2018 09h54
Ministério Público pedia a abertura imediata das unidades, com a recontratação dos funcionários
TVT/REPRODUÇÃO
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Unidade Jardim Tietê 2 tinha 40 profissionais cadastrados, mas boa parte funcionários foram transferidos para outros postos de saúde

São Paulo – Intimada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em março, a prefeitura da capital interrompeu fechamento das unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e Unidade Básica de Saúde (UBS). O acordo previa também a reabertura imediata de unidades já fechadas e a recontratação dos funcionários, porém a gestão municipal não cumpriu o combinado.

Benedito Ribeiro, 74 anos, obrigado a usar uma sonda urinária por conta de uma obstrução grave na próstata, recebia atendimento numa UBS perto de casa, em São Mateus, na zona leste da capital. Porém, desde o começo do ano, não consegue passar por uma consulta.

"Não consigo urinar mais, é capaz da bexiga estourar e eu morrer aqui. Duas vezes eu já escapei de morrer, sorte que meu filho correu comigo. Não tinha médico aqui", relata o aposentado ao repórter Leandro Chaves, da TVT.

A unidade Jardim Tietê 2 tinha 40 profissionais cadastrados, mas boa parte dos funcionários foram transferidos para outros postos de saúde. "Falta clínico (geral), pediatra, ortopedista, exames. Não tem nada", denuncia Eugídio Alves Carvalho, líder comunitário em São Mateus.

A justificativa da gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB) era de que este e outros 80 equipamentos municipais de saúde, incluindo AMAs e UBS, passariam por uma reestruturação. "Essa gestão não cumpriu o papel, fazendo um termo de compromisso com o Ministério Público e também com a população", critica a vereadora Juliana Cardoso (PT).

Após muita pressão da população, o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, suspendeu a reestruturação da rede, durante uma reunião na sede do Ministério Público Estadual. O prazo para a reabertura é de 90 dias mas, agora sob o comando de Bruno Covas, também do PSDB, nada mudou.

"Nós estamos é querendo dialogar com o Ministério Público para ver como que é essa retomada e fazer com que de fato a secretaria reabre imediatamente essas unidades que estão fechadas. Onde elas foram fechadas têm recursos para retomar, só precisamos retomar o diálogo com o MP", acrescenta a vereadora.

Enquanto isso a população segue sem atendimento e aguarda ansiosa pela reabertura da unidade. "Essa UBS foi uma luta da comunidade por mais de 30 anos. Não é possível você ter uma unidade de saúde com essa importância e vir o secretário com uma proposta absurda, dizendo que vamos para outro lugar sem ouvir a gente", lamenta Eugídio.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo respondeu à reportagem:

Com relação à reportagem "Gestão Covas descumpre acordo e não reabre unidades de saúde em São Paulo", publicada no portal nesta quinta-feira (14/6), a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo esclarece que, imediatamente após a audiência pública citada, foi determinada a todas as coordenadorias regionais de saúde (CRS) que retomassem, conforme acordado com o Ministério Público (MP) de São Paulo, a discussão junto à população sobre a adequação e ampliação das redes de atenção à saúde.

A expectativa é que, dentro do prazo proposto, a pasta defina as reais necessidades de reverter o processo de mudanças implementado em oito AMAs da cidade.

Sobre a UBS Jardim Tietê II, a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Leste informa que a unidade não era de Estratégia Saúde da Família (ESF) e, por isso, não contava com essas equipes. Já a UBS Tietê I, contava com quatro equipes de ESF e, com a contratação, dobrou o número de equipes, chegando a oito. Com a ampliação, também será inserido o serviço de odontologia na unidade. 

O prédio da UBS Jardim Tietê II, atualmente, oferece atendimento de recuperação de pessoas com deficiências da região. O Núcleo Integrado de Reabilitação (NIR) realiza, em média, mensalmente, 1.942 atendimentos individuais e 63 atendimentos em grupo, sendo que cada grupo conta com, no mínimo, 10 pessoas. Há também a possibilidade de, futuramente, transformar o NIR em um Centro Especializado em Reabilitação (CER) na categoria IV, com ampliação física e de recursos humanos (RH).

A SMS já contratou 76 novas equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), com 10 profissionais cada, aumentando de 1.331 para 1.408 o número de equipes. A pasta planeja obter até o final do ano 100% de cobertura da população SUS dependente, estimada em 6,5 milhões de pessoas, por equipes de saúde da família, com um total de 1.625 equipes.

Com relação aos casos pontuais, a pasta esclarece que precisa de mais dados, como cartão SUS ou nome da mãe e data de nascimento para verificar cada caso.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT: