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Em assembleia

Farmacêuticos vão resistir à extinção das farmácias do SUS por Doria

Depois de terem se reunido com secretário municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, servidores discutem estratégias para manter a distribuição de medicamentos nas próprias UBSs
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 27/01/2017 19h41, última modificação 27/01/2017 21h19
Depois de terem se reunido com secretário municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, servidores discutem estratégias para manter a distribuição de medicamentos nas próprias UBSs
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Remédios na rede comercial: temor de que sejam oferecidos outros medicamentos, a "empurroterapia"

São Paulo – O Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sinfar-SP) vai reunir farmacêuticos e auxiliares que atuam nas farmácias das unidades básicas de saúde (UBSs) na capital paulista para definir estratégias de resistência ao projeto do prefeito de São Paulo, João Doria, (PSDB) de fechar essas unidades.

"Vamos discutir a estratégia do movimento contra o fechamento dessas unidades, que vai prejudicar a população e também os servidores", disse o presidente do Sinfar-SP, Glicério Diniz Maia. Uma assembleia foi marcada para o próximo dia 4 de fevereiro, às 10h, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, na rua Genebra, 25, região central da capital. 

Na última terça-feira, uma comissão do Sinfar-SP se reuniu com o secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, para obter mais esclarecimentos a respeito. No entanto, segundo o dirigente, há muitas questões que não foram totalmente esclarecidas, como a distribuição em pontos onde não há unidades da rede.

"Embora o secretário tenha afirmado que vai voltar a discutir a questão com os trabalhadores e que não há um cronograma para a implementação, ficou a impressão de que a mudança será mesmo implementada. E que o projeto já está todo definido", afirma o dirigente, preocupado que a medida venha a avançar e se espalhar por outros municípios e estados.

Doria anunciou no começo deste mês que estuda passar a distribuir os medicamentos em farmácias comerciais. Nesta segunda-feira (23), ele e o secretário Pollara se reuniram com Antonio Carlos Pipponzi, vice-presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e presidente do Conselho da Raia Drogasil, dando a entender que o gigante do setor deverá ser o parceiro da prefeitura. 

A mudança é considerada prejudicial aos usuários dos SUS, especialmente os mais pobres, moradores de bairros mais periféricos, onde não existem unidades dessa rede comercial. "A privatização da entrega de medicamentos representa o enfraquecimento das unidades básicas de saúde e é mais um passo no desmonte SUS", completa Maia.

Além disso, há o temor de que, ao buscar medicamentos na rede comercial, sejam oferecidos outros medicamentos, não gratuitos – a chamada "empurroterapia", no jargão dos farmacêuticos.

O Sinfar-SP encaminhou ofício ao Conselho Nacional de Saúde, pedindo ao órgão que avalie e se manifeste em relação ao projeto de Doria.