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Número 36, Junho 2009

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De John Lennon a Eduardo Coutinho

por Xandra Stefanel, Revista do Brasil publicado , última modificação 04/04/2018 13h31
divulgação
filme

Fernanda Torres, em Jogo de Cena

John Lennon by brazucas

O selo Discobertas acaba de lançar o sexto volume da série Letra e Música, com canções de John Lennon interpretadas por nomes conhecidos da MPB e outros nem tanto. Os destaques vão para as regravações de My Life por Leila Pinheiro e Jealous Guy por Zé Ramalho. Mas tem também Rita Lee com In My Life e a incrível Norwegian Wood com Milton Nascimento, e participação especial de Beto Guedes e Som Imaginário, além de Titãs, Verônica Sabino, Ira!, Ivan Lins, Wilson das Neves e Demônios da Garoa, que levam o clássico Help.

Em março, foi lançada a edição de Bob Dylan com Caetano Veloso em Jokerman, Gal Costa com Negro Amor (It’s All Over Now, Baby Blue), além de Ruy Maurity, que abre o disco com Batismo dos Bichos, versão para Man Gave Names to All The Animals. E, claro, como não poderia faltar, Knocking on Heaven’s Door, interpretada por Evandro Mesquita. A revelação do momento Mallu Magalhães também entrou na onda com uma interessante versão ao vivo para It Ain’t Me Baby.

Nos mesmos moldes, já saíram regravações de Paul McCartney, George Harrison, George Gershwin e Renato Russo, sempre com interpretações de grandes nomes da música brasileira e de novos talentos. Já estão no forno as edições de Gonzaguinha e Zé Ramalho.

Vale a pena conferir também o Álbum Branco que Discobertas lançou em 2008 em comemoração aos 40 anos do disco homônimo que marcou a história dos Beatles. As 30 canções do álbum original foram regravadas, todas em inglês, para o alívio daqueles que não gostam de versões. Zé Ramalho gravou Dear Prudence, o grupo de rock Cachorro Grande ficou com Glass Onion, Sylvinha Araújo, que morreu no ano passado, cedeu sua voz para Blackbird, Twiggy & Andreas Kisser’s Lostapes para Piggies, Patu Fu para Birthday e Flávio Venturini & Aggeu Marques cantaram Honey Pie. As coleções foram organizadas pelo pesquisador musical Marcelo Fróes, criador do selo.

Por onde começar

Nomes familiares aos leitores da Revista do Brasil aparecem em diferentes lançamentos da Boitempo e da Limiar. Ao lado de Og Doria, o colaborador Flávio Aguiar organizou a coletânea A Escola e a Letra (Boitempo). São contos, crônicas, trechos de romances e memórias em que os mais importantes escritores brasileiros, como Machado, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Jorge Amado, Graciliano, Verissimo, Rubem Braga, Clarice Lispector, Rubem Fonseca, Vinicius de Moraes, Moacyr Scliar, João Ubaldo, entre outros, mostram como seus processos de aprendizagem marcaram suas obras.

A psicanalista Maria Rita Kehl, entrevistada pela RdB de maio do ano passado, quando abordou temas como a depressão e a relação das pessoas com o tempo, aprofunda esses assuntos no livro O Tempo e o Cão, a Atualidade das Depressões (Boitempo). Maria Rita escreve com sabor não apenas para o público da psicanálise, mas para todos que procuram leitura diferenciada do comportamento humano. E em João do Rio, 45 (Limiar), Mouzar Benedito conta as aventuras de um grupo de amigos que dividem casa no endereço que dá título ao livro, na Vila Madalena, em São Paulo. Os “causos” são regados a bagunça de república, porralouquice dos anos 1980, e divergentes opiniões políticas de seus frequentadores, que só encontravam consenso na preferência pelas garotas da Libelu.

Libertários

Depois de três filmes rodados em Londres (Match Point, Scoop e O Sonho de Cassandra), Woody Allen partiu para Barcelona. Há bem mais que um belo cenário em Vicky Cristina Barcelona, o divertido rebuliço amoroso entre Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Javier Bardem e Penélope Cruz, lançado em DVD. Vicky, que está prestes a se casar, e Cristina desembarcam de férias na capital da Catalunha e se apaixonam pelo excêntrico pintor Juan Antonio. Vicky tenta resistir, mas a amiga acaba vivendo um romance a três, com o pintor e sua desequilibrada ex-mulher, papel que rendeu um Oscar a Penélope Cruz.

Sexo, drogas e cana

O alemão Rodger Klingler nem havia experimentado drogas na sua terra natal, mas encantou-se com o universo do tráfico e da prostituição que ronda Copacabana, no Rio de Janeiro. Com a possibilidade de lucrar alto com a venda da cocaína em seu país, Klingler costurou contatos no Rio para comprar a droga em reais e vender em marcos. Em sua terceira visita à Cidade Maravilhosa – e na primeira tentativa de tráfico – foi preso no aeroporto com um quilo de coca costurada no casaco e amargou quatro anos em presídios cariocas. O bom português e o estilo malandro que adota o safam várias vezes da morte. A história virou livro, Memórias do Submundo (Ed. Best Seller), fotografia bem atual da realidade carcerária e também de companheirismo pela sobrevivência.

Mulheres reais. Ou não

O que é real e o que é mentira? No filme Jogo de Cena, o cineasta Eduardo Coutinho explora os limites entre a entrevista e a interpretação com mulheres ilustres (como Fernanda Torres, Marília Pêra e Andréa Beltrão) e desconhecidas, que falam sobre a própria vida. Atendendo a um anúncio de jornal feito pelo cineasta, 83 mulheres deram depoimentos em um estúdio montado num teatro e 23 delas foram selecionadas e filmadas em junho de 2006. Depois, atrizes interpretaram algumas das histórias. O filme reúne emocionantes depoimentos e, exceto quando se trata das atrizes famosas, o espectador não consegue distinguir quando o relato é real e quando é interpretado. Disponível em DVD.

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