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Sem pudores

Brasileiros e americanos denunciam em NY parcialidade de Moro, que posa com tucano

Integrantes do coletivo Defend Democracy in Brasil, com apoio de entidades sindicais norte-americanas, protestam contra presença e premiação a juiz "parcial e partidário"
por Redação RBA publicado 16/05/2018 13h25, última modificação 16/05/2018 16h34
Integrantes do coletivo Defend Democracy in Brasil, com apoio de entidades sindicais norte-americanas, protestam contra presença e premiação a juiz "parcial e partidário"
Divulgação/João Doria
Moro e Doria

"E ainda tem gente que pergunta por que a Lava Jato não prende tucanos...", ironizou Ivan Valente

São Paulo – O juiz Sérgio Moro recebeu nesta terça-feira (15) o prêmio Pessoa do Ano, dado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham). Em Nova York, ele recebeu a honraria das mãos do ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), agraciado no ano passado. Ambos posaram para fotos, acompanhados de suas mulheres.

Doria afirmou que "os brasileiros de bem" presentes no evento "apreciam" o trabalho do juiz. Já Moro afirmou que "não há sinais de rupturas democráticas no Brasil". A foto dos casais foi publicada por Doria em suas páginas virtuais.

No evento, além de Moro, também estiveram Pedro Parente, presidente da Petrobras – principal afetada pelo desmonte promovido pela Operação Lava Jato –,  e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, que representou Michel Temer – já denunciado como corrupto e chefe de quadrilha, além de investigado por propinas nos portos.

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), anotou que a imagem demonstra que a Justiça é "seletiva e parcial", e lembrou que não é a primeira vez que Moro, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é flagrado em momentos de descontração com políticos tucanos.

Na entrada do Museu de História Natural, onde ocorria a cerimônia, brasileiros protestaram contra o juiz da Lava Jato. Com faixas em defesa da liberdade de Lula, os manifestantes chamavam Moro de "golpista", "vergonha" e "juiz partidário".

Sindicatos norte-americanos apoiaram o protesto convocado pelo Comitê Defend Democracy in Brazil em Manhattan. "A situação no Brasil agora reflete o que pode acontecer quando você tem pessoas em posições de poder com a intenção de oprimir qualquer movimento para melhorar a vida dos trabalhadores", disse o vice-presidente do sindicato dos metalúrgicos (USW International), Fred Redmond. 

A central AFL-CIO, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, Aeroespacial e Agrícola dos Estados Unidos (UAW), o Sindicato dos Trabalhadores de Alimentos e Comercialização (UFCW) e o Sindicato do Varejo, Atacado e Lojas de Departamentos (RWSDU) também apoiaram o protesto.

Divulgação Cartaz em NY
Campanha divulgada por brasileiros e americanos que denunciam perseguição a Lula

A náusea

No Brasil, a repetição de um cena de Moro fotografado ao lado de um tucano  causou reação de parlamentares ligados ao direito. Para o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente no Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Moro lembra o personagem  Mazzaropi. "A cara de deslumbramento e de subserviência de Moro diante de seus patrões americanos em Nova York é de causar engulho. Não é à toa que foi escrachado na porta. Fascista e entreguista."

"O povo protestou hoje, nos Estados Unidos, contra o juiz arbitrário Sérgio Moro. Ele foi dar uma palestra em um evento que reunia brasileiros e americanos, mas não deixou de ser contestado sobre as arbitrariedades que tem cometido contra Lula", escreveu o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), também advogado. 

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) exibiu fotos de Moro com Doria e outra dele com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). E ironizou: "E ainda tem gente que pergunta por que a Lava Jato não prende tucanos..."