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perseguição política

Senadores visitam Lula: condições são adequadas, mas isolamento preocupa

Quando indagados sobre a visita, parlamentares responderam tratar-se de um preso político. Segundo João Capiberibe (PSB-AP), ex-presidente está "tranquilo e indignado"
por Redação RBA publicado 17/04/2018 17h08, última modificação 17/04/2018 18h28
Quando indagados sobre a visita, parlamentares responderam tratar-se de um preso político. Segundo João Capiberibe (PSB-AP), ex-presidente está "tranquilo e indignado"
Reprodução/PT no Senado
Lula Visita

Senadores afirmaram que lula "ouve" e "reage" as manifestações de apoio advindas do acampamento de militantes

São Paulo – Onze senadores visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal em Curitiba na tarde desta terça-feira (17). Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado afirmaram que as condições das instalações da carceragem são "adequadas", mas o que os preocupa é o isolamento a que o ex-presidente vem sendo submetido. 

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que Lula segue menos preocupado com ele, e mais com a situação em que se encontra o país, e pediu aos senadores para que intensifiquem a luta em prol do reequilíbrio no funcionamento das instituições.

Os senadores ressaltaram que o ex-presidente é uma figura "hiperativa", acostumado a longas discussões políticas, e por isso sente falta das conversas com familiares, políticos e amigos.

Ela reclamou que as instâncias judiciais vêm causando dificuldades em autorizar as visitas requisitadas. "O que é isso? É regime de exceção? O presidente Lula tem direito de receber visitas. Será que essa gente não consegue perceber a realidade do país? Fosse um criminoso, não teria tanta gente querendo visitá-lo."

Gleisi anunciou que nesta quarta-feira (18) os presidentes das centrais sindicais devem visitar Lula, e destacou ainda a ida de figuras como a do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, e o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, nos próximos dias.  

"As condições são razoáveis, mas o que é importante é que ele está isolado", declarou também a senadora Regina Sousa (PT-PI), que preside a CDH. Ela afirmou que os demais presos da carceragem também disseram aos senadores que as condições físicas e sanitárias são adequadas.

"O presidente Lula está tranquilo e indignado. Indignado com as distorções das informações que chegam à população", afirmou o senador João Capiberibe (PSB-AP). Segundo ele, a afirmação do petista que mais chamou a atenção foi a sua crença reiterada na democracia e na Justiça. "Ele disse por diversas vezes que a sua única arma é a sua inocência."

A uma pergunta se a visita dos senadores era política, Capiberibe rebateu. "Não deixa de ser uma visita política, porque se trata de um preso político. É um ex-presidente que tem cerca de 35% da preferência do eleitorado." O senador também afirmou que Lula "está acompanhando tudo o que ocorre no entorno da sede da PF. "Ele ouve, ele reage", disse Capiberibe, sobre as manifestações de apoio que ecoam do acampamento Lula Livre.

Ao final da coletiva, Gleisi também informou que na noite dessa segunda-feira (16) um carro da assessoria do ex-presidente foi arrombado, nos arredores da Superintendência da Polícia Federal, e documentos, cartas de apoiadores, roupas e até mesmo o seu passaporte teriam sido furtados. O caso foi objeto de um boletim de ocorrência. A senadora cobrou providências das autoridades de segurança, nos níveis estadual e federal, e denunciou a “série de abusos e ilegalidades” que Lula vem sofrendo.

Apoio internacional

Estiveram presentes no acampamento, para prestar solidariedade a Lula, representantes da sociedade argentina. O ganhador do prêmio Nobel alternativo, ativista Raul Montenegro fez um discurso também no sentido de denunciar ilegalidades na prisão do ex-presidente. "Quando prendem Lula, temos que manifestar a tremenda angústia do povo. Por trás dele tem 30 milhões de brasileiros que deixaram a pobreza. Quando cai Lula, cai um nordestino, um habitante da favela. É tremendamente grave prender Lula por algo que não existe. Essa prisão atinge a todos nós. Não se pode inventar motivos para tirar a liberdade de ninguém", disse.

Já a integrante do Parlamento do Mercosul (Parlasur) Paula Cecília Merchán classificou o acampamento em defesa da liberdade de Lula como "uma trincheira de luta, uma referência para toda a América Latina". "Na Argentina acontecem coisas similares. Temos presos por lutar. Estamos exigindo liberdade diariamente. É enorme a quantidade de organizações que se somam a essa luta que é de todos nós. Trazemos o abraço coletivo de muitos companheiros e companheiras progressistas do Parlasur. Nos faz bem seguirmos na luta por liberdade e igualdade social."

A integração latino-americana e os paralelos entre os países foi foco do discurso do secretário nacional da Liga Argentina por Direitos Humanos, José Schuman. "O movimento de direitos humanos da Argentina segue na luta pela memória, pela verdade e pela justiça. Aprendemos que nossa história, nosso futuro, só tem possibilidade de vitória se assumirmos que somos a pátria grande. A mesma pátria de José de San Martín, de Salvador Allende e de todos que hoje resistem à esta operação colonial que de muitas maneiras está instalando um domínio no Brasil, na Argentina, no Chile, na Colômbia, em quase toda nossa América."