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Contra Reforma da Previdência

Faremos a maior greve geral da história do país, diz presidente da CUT

Vagner Freitas afirma que Judiciário cria insegurança jurídica e social com condenação de Lula. Stédile, do MST, diz que movimentos não permitirão que ex-presidente seja preso
por Redação RBA publicado 25/01/2018 17h22, última modificação 26/01/2018 09h44
Vagner Freitas afirma que Judiciário cria insegurança jurídica e social com condenação de Lula. Stédile, do MST, diz que movimentos não permitirão que ex-presidente seja preso
Roberto Parizotti/CUT
Vagner Freitas

Pera presidente da CUT, elite econômica do país não terá paz nem atividade econômica com agravamento da crise social

São Paulo – Se o governo e a Câmara dos Deputados tentarem pôr em votação a “reforma” da Previdência no dia 19 de fevereiro, como têm anunciado, o Brasil terá a maior greve geral de sua história. A declaração foi feita pelo presidente da CUT, Vagner Freitas, nesta quinta-feira (25). A central foi anfitriã da reunião da direção do PT que oficializou hoje a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa presidencial em outubro.

“Temos que fazer uma rebelião para garantir o Estado Democrático de Direito e não vamos deixar os capitalistas rasgarem a Constituição. Eles serão derrotados nas ruas se não recuarem. Vamos desautorizar o TRF4”, avisou Vagner, associando a luta pelo direito de Lula de disputar a eleição à luta em defesa dos direitos dos trabalhadores. “A CUT nasceu defendendo a democracia e, por isso, este é o local adequado para este ato de resistência aos ataques golpistas contra os trabalhadores e contra Lula.”

Para o presidente da central, a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) de manter a condenação do ex-presidente trouxe ainda mais insegurança jurídica e social para o Brasil, que desde o golpe de 2016 também vem atravessando um grande revés econômico. “Será que os capitalistas brasileiros, que foram os pais do golpe, acham que vão ter condições de crescer com o país arrebentado e com os trabalhadores descontentes?”, questionou. “Vamos fazer greve nos bancos de vocês, vamos fazer greve nas empresas de vocês, vamos fazer greve no agronegócio. O desempenho das empresas vai cair ainda mais, porque vocês arrebentaram as relações de trabalho e ganharam ainda mais insegurança jurídica. E a greve do dia 19 será ainda maior do que a de 28 de abril, quando milhões de trabalhadores cruzaram os braços.”

Candidato do povo

Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile defendeu, minutos antes, além da greve no dia 19, uma agenda prolongada de resistência à consolidação do “golpe” que tenta tirar Lula da disputa. “No TRF4 o jogo era deles, deixando mais claro que o Poder Judiciário é contra o povo, que não tem compromisso com o Brasil. Isso não vai nos intimidar. Saímos mais revigorados”, afirmou.

O líder do MST disse ainda que “quem escolheu Lula como candidato foi o povo e não o PT”, mandando outro recado ao Judiciário e aos golpistas: “Não pensem que vocês mandam no país. Nós vamos impedir que Lula seja preso”. Stédile disse que, além do 19 de fevereiro, as ações do Dia Internacional da Mulher, no 8 de março, também terão essa abordagem de resistência em defesa de Lula, da democracia e dos direitos.

Ao lado de Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Stédile anunciou ainda que a Frente Brasil Popular – integrada por CUT, CMP, MST e outras dezenas de entidades – realizará “congressos populares” no maior número possível de cidades do país. O objetivo é ampliar a organização pela resistência nas ruas e discutir projetos para o Brasil “junto com o povo”. Os passos seguintes seriam a realização desse eventos em nível estadual, em julho.  “Vamos encher o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para definir a plataforma nacional dos trabalhadores.

Raimundo Bonfim reforçou que o povo brasileiro não vai se aquietar. “Não vamos respeitar a farsa construída ontem pelo Judiciário. Não há outro caminho senão o povo nas ruas, senão a desobediência civil. Se eles não respeitam a Constituição de 1988, também não serão respeitados”, afirmou, referindo-se ao uso do sistema de Justiça para criminalizar as forças populares e a política.

Colaborou Solange do Espírito Santo, da CUT