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Fim de caso

'Demissão de Parente é um golpe no golpe', diz coordenador da FUP

José Maria Rangel lembra que, indicado pelo PSDB, ex-presidente da Petrobras 'tem relação umbilical com o setor que quer entregar a Petrobras'. Para deputadas Maria do Rosário e Jandira Feghali, políticas da estatal que punem o povo têm que acabar
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 01/06/2018 19h04, última modificação 04/06/2018 19h24
José Maria Rangel lembra que, indicado pelo PSDB, ex-presidente da Petrobras 'tem relação umbilical com o setor que quer entregar a Petrobras'. Para deputadas Maria do Rosário e Jandira Feghali, políticas da estatal que punem o povo têm que acabar
Divulgação
Zé Maria Rangel

“A greve dos caminhoneiros foi um convite para ele sair, porque desnudou a política de preços dos derivados”

São Paulo – “O pedido de demissão de Pedro Parente é um duro golpe no golpe. Ele foi indicado pelo PSDB, que tem uma relação umbilical com o setor que quer entregar o patrimônio público da Petrobras. Foi o PSDB que criou toda aquela onda de privatizações.” A opinião é do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, sobre a queda do agora ex-presidente da Petrobras.

Embora concorde com a avaliação de que “nada vai mudar” se continuar a política implementada por Parente na estatal, como os preços dos derivados de petróleo ancorados no mercado internacional, o dirigente considera a demissão significativa. “Não tem muita gente que tenha as bênçãos do mercado financeiro para levar adiante todo esse entreguismo que estava sendo tocado na Petrobras”, afirmou.

Parente disse em sua carta de demissão que “os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços”. Segundo ele, “a Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada”.

Para Rangel, “a greve dos verdadeiros caminhoneiros foi um convite para ele sair, porque desnudou a política de preços dos derivados”. O coordenador da FUP destaca que mesmo prejudicada em seu trabalho, e apesar do massacre midiático, 87% da população brasileira apoiou a greve. “Eles conseguiram levantar o tema, e nós da FUP conseguimos qualificar esse debate e demonstrar com números e com exemplos o quanto essa política foi nociva para o povo brasileiro. O Pedro Parente sentiu o baque e pediu pra sair.”

Porém, o dirigente alerta: “Temos que continuar na ofensiva, não podemos descansar. Agora só falta o ilegítimo (o presidente Michel Temer) cair, e vamos continuar trabalhando pra isso”.

Em vídeos postados no Facebook, as deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) comentaram a queda de Parente. “A demissão foi uma vitória do povo brasileiro, mas isso não quer dizer que vai mudar a política de preços da Petrobras. Essa é a pressão que deve se seguir”, enfatizou Jandira.

Ela anunciou uma ação popular a ser ajuizada na semana que vem contra a política de preços dos derivados de petróleo. “O presidente Temer está na lona. Sem autoridade, sem competência. Para acabar com a greve, ele prometeu uma isenção de tributos que vai recair sobre as costas do povo brasileiro.”

Para Maria do Rosário, “Pedro Parente é uma figura conhecida do governo Fernando Henrique Cardoso como responsável pelo apagão das elétricas. Agora vai para história mais uma vez, como num daqueles filmes de terror antigo, e volta para nos colocar no apagão de combustíveis”, afirmou a petista.

Jandira lembrou que, em sua carta de renúncia, Parente afirmou ter cumprido sua missão. “Me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue”, escreveu Parente na carta. “De fato, ele entregou o Petróleo ao capital internacional. Esse cidadão fez da Petrobras uma agência a serviço das empresas americanas e estrangeiras, que vendiam ao preço do dólar os produtos extraídos no Brasil.”

Para a comunista, a demissão não significa que o governo mudará a sua política. “É a fragilização dessa política, mas ainda não é a mudança.” 

Parente disse ainda que a greve dos caminhoneiros e suas consequências “desencadearam um intenso e por vezes emocional debate” e defendeu sua política de preços dos combustíveis. “Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país”, declarou o tucano.

Maria do Rosário também ressaltou que o fim de Parente no comando da estatal deve ser seguido de uma mudança na condução da Petrobras e do setor, ao invés de se cortar mais ainda das políticas sociais, como resolveu o governo Temer. Ela propõe a redução da margem de lucro sobre diesel, gasolina e gás, ao invés de se reduzirem os gastos sociais. Segundo consultoria da Câmara dos Deputados citada pela parlamentar, a margem de lucro é de cerca de 150%.

“Quem paga a conta é o povo brasileiro. Pedro Parente pediu demissão depois de aumentar a gasolina mais uma vez. A gasolina não baixou de preço, o preço do gás de cozinha continua absurdo e além disso a população segue pagando o desmonte da educação, saúde e direitos fundamentais”, disse a petista.

Para Jandira, a crise dos combustíveis e a queda de Parente podem ter servido a um fim didático. "Acho que agora caiu a ficha do povo brasileiro. Não é possível que as pessoas não entendam o que foi e para quê esse golpe."

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