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População pagará por venda da Eletropaulo, alertam trabalhadores

De acordo com Sindicato dos Eletricitários, há a preocupação do trabalhador pagar a conta do gasto do futuro novo controlador para a aquisição da empresa estatal de distruibuição de energia
por Redação RBA publicado 24/05/2018 14h41, última modificação 24/05/2018 15h05
De acordo com Sindicato dos Eletricitários, há a preocupação do trabalhador pagar a conta do gasto do futuro novo controlador para a aquisição da empresa estatal de distruibuição de energia
Divulgação/EBC
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Meses atrás, Eletropaulo recusou um aumento de capital que colocaria R$ 4,5 bilhões na empresa

São Paulo – A Eletropaulo, maior empresa de distribuição de energia do país, está perto de ser completamente privatizada, em leilão de 17% de sua participação acionaria que entra na reta final a partir desta quinta (24), quando os pretendentes devem apresentar suas propostas para a compra da empresa.

De acordo com o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, há um movimento para inflar os valores das ações no processo de venda, custo que deverá ser pago pela população. "Estão inflando o valor das ações e sabemos que investidor quer retorno. Quando infla com cifras estratosféricas. como vemos, a gente receia que a população e o trabalhador acabem pagando a conta. Estamos preocupados e não achamos que as coisas ficarão bem", afirma Eduardo Annunciato, o Chicão, presidente do sindicato.

Em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) lembra que, recentemente, a Eletropaulo recusou um aporte financeiro em seu caixa, que seria aplicado em melhorias no atendimento à população. Por conta disso, ele acionou o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o processo.

"A Eletropaulo está piorando o serviço na região metropolitana. Passou a ficar mais comum a queda de energia na rua, nas casas e até nos estádios. A Eletropaulo deixou de pagar seus fornecedores, o que deixa seus trabalhadores preocupados com seu futuro dentro da empresa. A partir daí a Eletropaulo recusou um aumento de capital que colocaria R$ 4,5 bilhões. Por sua vez, se colocou à venda. Queremos saber o que está por trás disso", questiona o parlamentar.

O presidente do sindicato também se diz preocupado com o acordo coletivo que regula as relações de trabalho dentro da empresa. Segundo Eduardo, as negociações iniciadas podem ser prejudicadas com o leilão. "Não sei quem vai entrar e pagar a conta depois. Quem entrar vai ter conta para pagar. Estamos negociando para que fechem o acordo coletivo logo para dar garantia a eles (trabalhadores). A empresa tem que estar saudável para atender a população e dar um conforto para seus empregados", conclui.

A proposta mais recente de aquisição da Eletropaulo, feita pela italiana Enel, foi de R$ 32,20 por ação, equivalente a R$ 907,4 milhões no total), enquanto a espanhola Iberdrola ofereceu R$ 32,10 por papel (total de R$ 904,6 milhões). Segundo as regras estabelecidas para o leilão dessa participação pela Bolsa de Valores, o valor da compra deve ser divulgado às 19h15 desta quinta.

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