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PF mira frigoríficos JBS, BRF e Seara em operação contra venda ilegal de carne

Esquema contava com participação de fiscais do Ministério da Agricultura, que davam certificados para a venda de produto adulterado. Parte do dinheiro alimentava o PMDB e o PP
por Redação RBA publicado 17/03/2017 13h49, última modificação 17/03/2017 14h26
Esquema contava com participação de fiscais do Ministério da Agricultura, que davam certificados para a venda de produto adulterado. Parte do dinheiro alimentava o PMDB e o PP
Divulgação
friboi

Tony Ramos, garoto-propaganda da Friboi: frigoríficos adulteravam certificados sanitários de carne estragada

São Paulo – A Polícia Federal (PF) desencadeou nesta sexta-feira (17) a Operação Carne Fracaque investiga organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Entre os alvos, estão os frigoríficos JBS (Friboi),  BRF (Sadia/Perdigão) e Seara. Cerca de 30 empresas são investigadas, incluindo fornecedoras dos grandes frigoríficos, que tiveram R$ 1 bilhão bloqueados pela Justiça Federal do Paraná.

Segundo a PF,  servidores das superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás "atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público".  Os fiscais se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita.

Com o certificados adulterados, diz a PF, os frigoríficos vendiam carne vencida para os mercados interno e externo. Ainda segundo a denúnica, carne estragada era disfarçada com ácido ascórbico e reembalada para a venda. Os fiscais utilizavam empresas fantasmas, como redes de fast-food, e imóveis em nome de laranjas para esconder o aumento de patrimônio conseguido com o esquema fraudulento. 

Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-SC), também é citado nas investigações. Em grampo telefônico, ele conversa com suposto líder do esquema criminoso, chamando-o de "grande chefe". A PF, porém, não encontrou indícios de ilegalidade na conduta do ministro, que não é investigado, de acordo com o jornal.

Em entrevista coletiva, o delegado da PF Maurício Moscardi Grillo afirmou que o esquema também abastecia partidos políticos. "Ficava bem claro que uma parte do dinheiro era, sim, revertido para partidos políticos. Dois partidos que ficam claros: o PMDB e o PP."