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Enxugamento

Governo Temer aprofunda redução do emprego no setor público

Apenas quatro empresas fecharam 30 mil vagas em três anos. Novos programas de demissão podem fazer corte superar 55 mil
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 18/01/2017 13h58, última modificação 18/01/2017 14h06
Apenas quatro empresas fecharam 30 mil vagas em três anos. Novos programas de demissão podem fazer corte superar 55 mil
Arte RBA
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São Paulo – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) abriu nesta semana um programa de demissões voluntárias para o qual espera adesão de 8.200 funcionários, de um total aproximado de 117 mil, até meados de fevereiro. Planos de demissão ou de estímulo à aposentadoria em empresas públicas têm sido comuns nos últimos anos, mas o atual governo caminha para aprofundar a redução de pessoal.

Desde 2013, segundo dados parciais, obtidos nos relatórios administrativos das próprias companhias, apenas quatro das maiores empresas – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, ECT e Petrobras – fecharam 30 mil postos de trabalho. Com novos programas em curso ou por vir, esse total chega a aproximadamente 55 mil.

A Petrobras fechou 2013 com 86.811 funcionários diretos. No terceiro trimestre do ano passado, último dado disponível, estava com 71.152, um corte próximo de 16 mil postos de trabalho, ou 18%. A companhia fez dois programas de incentivo ao desligamento voluntário (PIDVs), em 2014 e 2015. Alguns funcionários ainda devem deixar a empresa, que reduziu investimentos e tem vendido ativos, em processo que os petroleiros chamam de "desmonte" em favor do setor privado.

De 2013 para 2014, os Correios fecharam 5 mil vagas, de 125.420 para 120.461. A empresa continuou reduzindo, e em abril do ano passado estava com 117.405 funcionários diretos, sendo 59.718 carteiros. No PDV aberto agora, que vai até 17 de fevereiro, a empresa tem 17.700 trabalhadores considerados "elegíveis", mas espera adesão de 8.200. O público é formado por funcionários com 55 anos ou mais e pelo menos 15 anos de serviço. Sindicalistas apontam, como consequência, piora na qualidade dos serviços prestados. Confirmadas as 8.200 adesões, o número de vagas fechadas desde 2013 vai superar 16 mil, queda de 13% no emprego.

Outro alvo recente do "ajuste", a Caixa federal – que em 2013 chegou a contratar 8 mil funcionários, dispensando 2.700 (incluindo aposentadorias) –, passou de 101.500, no ano seguinte, para 95.100 no terceiro trimestre de 2016. A redução atingiu também estagiários e aprendizes, que foram de 16.300 para 14.800 no mesmo período. A meta do programa de demissões deve atingir de 8 mil a 10 mil trabalhadores.

Ainda no setor financeiro, o Banco do Brasil, já havia reduzido seu quadro de pessoas de 111.628 empregados, no final de 2014, para 109.159 até o terceiro trimestre do ano passado. E cortou mais de 9 mil após programa aberto no final de 2016.

A holding Eletrobras manteve estável seu quadro de pessoal nos últimos anos, entre 22 mil e 23 mil funcionários. No terceiro trimestre, tinha 22.989 (23.533 no ano anterior), sendo 15.583 operacionais e 7.406 administrativos, 4.556 na Chesf e 3.751 em Furnas. Mas também tem planos de redução.