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Cooperativas de crédito de São Paulo devem chegar a R$ 9 bilhões em empréstimos

Das 272 cooperativas de crédito paulistas, 169 são formadas por trabalhadores de uma mesma empresa ou categoria profissional. Taxas menores e ausência de tarifas são os maiores atrativos
por raimundo publicado 03/04/2013 16h53, última modificação 07/04/2013 11h00
Das 272 cooperativas de crédito paulistas, 169 são formadas por trabalhadores de uma mesma empresa ou categoria profissional. Taxas menores e ausência de tarifas são os maiores atrativos

As cooperativas de crédito estimulam negócios que precisam de baixo volume de empréstimo e condições facilitadas de pagamento (Foto: Fábio Pozzebom. Arquivo Agência Brasil)

São Paulo – As cooperativas de crédito de São Paulo devem atingir um volume de operações de crédito de R$ 9 bilhões em 2013, quase R$ 2 bilhões acima do registrado no ano passado (R$ 7,1 bilhões). O total de depósitos estimado para este ano, em torno de R$ 10 bilhões, também está bem acima dos R$ 8,3 bilhões do ano passado.

No estado, 169 das 272 cooperativas de crédito são mantidas por trabalhadores que se associam em órgãos ligados às empresas nas quais trabalham ou em categorias profissionais. Ao todo são 618 mil pessoas cooperadas.

Nas cooperativas de crédito os associados pagam por cotas de participação na gestão definidas pelas instituições, recebem a divisão dos resultados anuais, em caso de sobras, e usam os serviços financeiros, que são os mesmos oferecidos pelos bancos, como empréstimos, cartões de crédito, seguros e atendimento em rede de caixas eletrônicos, com taxas mais atraentes, como Imposto sobre Operações Financeiras de 0,38% contra a média de 3% cobrada pelos bancos.

Segundo o consultor técnico da área de crédito do Serviço Nacional do Cooperativismo (Sescoop), Gil Agrela, a expectativa de crescimento destas operações financeiras nas cooperativas de crédito paulistas leva em conta o desempenho nos últimos anos.

De acordo com levantamento do Sescoop, os depósitos passaram de R$ 5,6 bilhões em 2010 para R$ 7,2 bilhões em 2011 e para R$ 8,3 bilhões no ano passado. As operações de crédito, no mesmo período, subiram de R$ 4,8 bilhões para R$ 5,9 bilhões e para R$ 7,1 bilhões.

No país todo, os depósitos aumentaram de R$ 29,9 bilhões em 2010 para R$ 38 bilhões em 2011 e para R$ 46 bilhões no ano passado. O total de ativos das cooperativas de crédito passou de R$ 66 bilhões em 2010 para R$ 83 bilhões em 2011 e para R$ 103 bilhões no ano passado. A Organização das Cooperativas Brasileiras informa que há, no país, 9 milhões de associados, o que cria 300 mil empregos diretos. 

No estado de São Paulo, segundo informações do Sescoop, o total de ativos passou de R$ 13,8 bilhões para R$ 16 bilhões entre 2011 e 2012.

Segundo Agrela, a participação das cooperativas de crédito no mercado financeiro do país é da ordem de 2,5% e a expectativa é dobrar este índice até o final da década. Segundo informações do Banco Central, o total de ativos das cooperativas de crédito no Brasil era de R$ 115 bilhões em dezembro de 2011, o que representou 2,25% do mercado financeiro no período e colocou as cooperativas em sétimo lugar entre os dez maiores bancos do país, na frente do Safra (1,71%), do Citibank (1,13%) e do Banrisul (0,74%).

As cooperativas de crédito têm 4.825 postos de atendimento no país e só perdem para o Banco do Brasil, com 5.183 unidades. O Bradesco, terceiro no ranking do Banco Central, publicado em dezembro de 2011, estava com 4.611 postos de atendimento.

Para Agrela, o mercado das cooperativas de crédito tem crescido por conta de atrativos em relação à rede bancária, como taxas de juros cobradas em financiamentos (média de 2,7% ao mês contra 7,9% dos bancos), ampla cobertura de postos de atendimento e tratamento diferenciado em relação ao uso do crédito e potencial de endividamento.

“Para os bancos, que têm como objetivo o lucro, se você tem garantias, eles liberam o crédito e não querem saber dos limites de endividamento de cada um. Para as cooperativas, que não visam a lucros, e têm como foco prestar serviços a seus cooperados, a orientação financeira é uma prática comum e as instituições procuram liberar a quantia mais adequada para as necessidades e os projetos de cada cooperado e não de acordo com os interesses das cooperativas”, afirma Agrela.

Outro atrativo das cooperativas em relação aos bancos é a não cobrança de taxa de abertura de crédito e das tarifas. Segundo Agrela, em 70% das cooperativas de crédito paulistas não é cobrada nenhuma taxa de serviço.

O consultor afirma que a tendência do mercado das cooperativas de crédito é de manter o crescimento nos negócios e diminuir o número de cooperativas em atividade por conta de incorporações das menores pelas maiores nos últimos anos.

O número de cooperativas no país caiu de 1.357 em 2010 para 1.312 em 2011 e para 1.255 no ano passado. No estado de São Paulo, no mesmo período, o número de cooperativas passou de 293 para 286 e para 272. Outra tendência do mercado é aumentar o segmento de cooperativas de crédito de livre admissão.

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