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Associar mercado de trabalho e inflação é 'conversa para boi dormir', diz economista

Para coordenador da Fundação Seade, tese defendida por analistas de mercado mostra 'discurso ideológico que não corresponde à realidade'
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 24/04/2013 13h51, última modificação 24/04/2013 14h01
Para coordenador da Fundação Seade, tese defendida por analistas de mercado mostra 'discurso ideológico que não corresponde à realidade'

Saudosos das filas de desemprego da virada do século, alguns economistas têm defendido o corte de vagas de trabalho como forma de conter a inflação (Foto: Almeida Rocha/Folhapress)

São Paulo – Relacionar inflação e mercado de trabalho, como têm feito analistas ligados principalmente ao mercado financeiro, é “conversa para boi dormir”, segundo o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian. “É um discurso político, ideológico, que não corresponde à realidade. São interesses do mercado, que quer faturar”, afirmou, desqualificando os “modelitos econométricos” que fazem tal associação.

O debate ganhou força no período que antecedeu a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, quando a taxa básica de juros foi elevada em 0,25 ponto percentual, para 7,5% ao ano. Parte da pressão para elevar os juros foi direcionada para o mercado de trabalho, que seria um dos fatores “responsáveis” pela alta da inflação. “O rendimento (dos ocupados) cresceu em março 2,3% sobre a média de 2011. Onde está a pressão? É forçar demais a barra”, questiona Loloian, citando dados da pesquisa Seade/Dieese, divulgada hoje (24), que apontou pequena alta da taxa de desemprego, em movimento considerado normal para o período.

Segundo Loloian, o mercado de trabalho ainda “inspira cuidados”, refletindo as incertezas da economia. Mas a taxa de desemprego de 11% em março, maior do que o mês anterior, mostra comportamento típico para o período. Em São Paulo, a taxa também subiu e foi a 10,9%, mas foi a menor para o mês desde 1990. O rendimento médio dos ocupados em sete áreas pesquisadas pelo Dieese e pelo Seade é estimado em R$ 1.578, com alta de 2,1% em 12 meses.

Loloian aponta “certa leniência” do governo no discurso em relação ao crescimento da inflação, que o coordenador do Seade atribui, basicamente, a fatores sazonais. “Tudo indica que isso está entrando em refluxo.” Para a economista Ana Maria Belavenuto, do Dieese, “estão tentando transformar em novidade” algo que não é: “A inflação no mesmo comportamento, acima da meta, há muito tempo”.

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