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Após pressões, Banco Central eleva taxa de juros para 7,5% ao ano

Copom informa que decisão foi tomada observando 'nível elevado da inflação' e prega 'cautela' frente a incertezas e resistência na alta de preços
por Redação da RBA publicado 17/04/2013 20h15, última modificação 17/04/2013 20h29
Copom informa que decisão foi tomada observando 'nível elevado da inflação' e prega 'cautela' frente a incertezas e resistência na alta de preços

São Paulo – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu hoje (17) elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 7,5% ao ano. Em nota, o Copom informou que a decisão foi tomada observando "o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores". Segundo o Copom, há resistência inflacionária e incertezas internas e externas que "cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela". 

A decisão vem depois de uma série de pressões sobre o Banco Central pela elevação da taxa. A oposição ao governo Dilma Rousseff, parte da imprensa e representantes do mercado financeiro vinham cobrando um aumento da Selic argumentando haver risco de descontrole da inflação.

Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassou a meta estabelecida pela equipe econômica para 12 meses, chegando a 6,59%, frente a 6,5% do teto. O governo, porém, considera que o importante é aquilo que se tem ao final do ano, e que novamente o IPCA ficará dentro dos parâmetros definidos entre Ministério da Fazenda e Banco Central. Na visão do ministro Guido Mantega, a alta de preços nos três primeiros meses do ano é normal e haverá uma redução natural com o início da safra de alimentos. Ainda assim, na última sexta-feira Mantega não descartava que o BC elevasse os juros

Após uma trajetória de quedas que levou a Selic ao menor nível da história, o Banco Central tem adotado postura vista como mais cautelosa. A última redução, de 0,25 ponto percentual, foi realizada em outubro de 2012. De lá para cá, em quatro oportunidades o Copom decidiu pela manutenção da taxa de 7,25% ao ano. 

Em nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que o Copom se equivocou ao cair no "falso debate" entre juros e inflação. “O Brasil não pode abrir mão do controle da inflação, mas devemos superar a política econômica do uso exclusivo da taxa de juros. A nova política econômica deve ousar no sentido de aumentar os investimentos públicos, controlar os gastos de custeio, criar um ambiente favorável ao investimento privado e, de forma corajosa, finalizar as reformas que promovam a desindexação da nossa economia", afirmou.

Também em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que o Banco Central errou ao punir a atividade produtiva na tentativa de controlar a alta de preços. "A CNI avalia que uma política econômica baseada em aumento dos gastos públicos e alta dos juros tem pouco impacto nas pressões inflacionárias. Diagnostica que tais pressões estão concentradas  nos preços dos alimentos e nos preços dos serviços, estes últimos não influenciados pela concorrência internacional e, portanto, estimulados pela demanda parcialmente aquecida.  A entidade alerta ainda para uma outra grave consequência da alta dos juros, a  valorização cambial, devido à maior atração do dólar pelo  juro mais elevado."

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