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IPCA fecha 2012 com variação de 5,84%, abaixo do ano anterior

Índice apurado em dezembro pelo IBGE foi o maior para o mês desde 2004. No ano, gastos com alimentação representaram quase 40% do total. Maior impacto individual foi dos serviços dos empregados domésticos, que aumentaram 12,73%.
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 10/01/2013 09h04, última modificação 10/01/2013 14h07
Índice apurado em dezembro pelo IBGE foi o maior para o mês desde 2004. No ano, gastos com alimentação representaram quase 40% do total. Maior impacto individual foi dos serviços dos empregados domésticos, que aumentaram 12,73%.

Preço do pão francês aumentou 11,65%, ante 4,34% no ano anterior (Foto: Arquivo/ABr)

São Paulo – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), adotado como índice oficial de inflação no país, teve variação de 5,84% em 2012, abaixo do ano anterior (6,50%), informou hoje (10) o IBGE. O resultado fica dentro da meta do governo, mais próximo do teto – a meta é de 4,5%, com margem de depois pontos percentuais, para mais ou para menos. O resultado de dezembro (0,79%) foi o maior para o mês desde 2004 (0,86%) e também o maior índice desde março de 2011. No ano, os gastos com alimentação representaram 39% do total.

O grupo Alimentação e Bebidas, que no IPCA representa 23,93% do orçamento das famílias, subiu 9,86% em 2012, bem acima do ano anterior (7,18%). Segundo o instituto, com 2,27 pontos percentuais, foi responsável por 39% da taxa total. "Foi forte a pressão dos alimentos consumidos fora do domicílio, cujos preços se elevaram em 9,51% em 2012, seguindo a alta de 10,49% de 2011, embora menos intensa", diz o IBGE.

O item refeição fora subiu 8,59% em 2012 e teve impacto individual de 0,41 ponto, enquanto os alimentos consumidos no domicílio tiveram alta de 10,04%, ante 5,43% em 2011, "em decorrência, principalmente, de problemas climáticos". O arroz, cujo preço havia caido 5,08% em 2011, aumentou 36,67% no ano passado. O feijão preto foi de -11,05% para 44,20% e o feijão carioca, de -2,74% para 31,53%. O preço do pão francês aumentou 11,65%, ante 4,34% no ano anterior e as frutas passaram de 2,97% para 11,74%. Entre os produtos que ficaram mais baratos, estão açúcar cristal (-8,74%), açúcar refinado (-3,22%) e carnes (-0,67%). O leite subiu menos (de 7,81% para 4,70%).

Os gastos com habitação aumentaram 6,79%, pouco acima de 2011 (6,75%), e representaram 0,99 ponto percentual do índice geral. Subiram a mão de obra para reparos no domicílio (11,57%), condomínio (8,75%) e taxas de água e esgoto (9,84%).

De todos os grupos que compõem o IPCA, a maior alta foi de despesas pessoais: 10,17% (8,65% em 2011). Os serviços dos empregados domésticos aumentaram 12,73% e representaram o principal impacto individual de 2012 (0,45 ponto percentual). O IBGE destacou ainda as altas com cigarro (25,48%), excursão (15,25%) e manicure (11,73%).

A menor alta de 2012 foi do grupo Transportes, que tem o segundo maior peso na composição do IPCA (19,52%): de 6,05%, em 2011, para 0,48% no ano passado. Com isso, o impacto passou de 1,13 ponto para 0,04 ponto. Entre os fatores que puxaram para baixo a variação do grupo, estão os preços dos automóveis novos (-5,71%), o que representou redução de 0,21 ponto – o IBGE destacou a influência da redução do IPI nesse resultado. Os automóveis usados ficaram 10,68% mais baratos, com impacto de -0,18 ponto. Também caíram preços de combustíveis (-0,72%), com queda de 3,84% no etanol (-0,04 ponto) e de 0,41% na gasolina (-0,02 ponto). Pressionaram a taxa os aumentos em passagens aéreas (26%), seguro de veículo (7,78%), tarifas de ônibus intermunicipais (6,35%), tarifas de ônibus urbanos (5,26%) e conserto de automóvel (5%).

No grupo que inclui saúde e cuidados pessoais, a variação foi de 5,95%, menos intensa que a de 2011 (6,32%). Aumentaram os gastos com plano de saúde (7,79%), consultas médicas (11,11%), consultas dentárias (8,36%), serviços de hospitalização e cirurgia (7,11%) e remédio (4,11%).

Os artigos de vestuários aumentaram 5,79% em 2012, ante 8,27% no ano anterior. Os preços dos calçados aumentaram 7,59% e os das roupas, 4,67%.

Entre as regiões pesquisadas, o maior índice foi registrado em Belém (8,31%), que em 2011 tivera o menor (4,74%). A maior pressão veio dos alimentos, que aumentaram 14,32% e tiveram impacto de 4,58 pontos percentuais (55% do índice geral). O menor IPCA foi apurado na região metropolitana de São Paulo: 4,72%, ante 6,49% no ano anterior – São Paulo tem peso de 31,68% no índice geral.

O IPCA variou 6,03% em Belo Horizonte, 5,73% em Curitiba, 6,70% Fortaleza, 5,40% em Goiânia (município), 5,56% em Porto Alegre, 6,79% em Recife, 7,34% no Rio de Janeiro e 6,20% em Salvador.