Você está aqui: Página Inicial / Economia / 2011 / 03 / Ainda elevado, IPCA se estabiliza, com menor pressão de alimentos

Ainda elevado, IPCA se estabiliza, com menor pressão de alimentos

Inflação de fevereiro (0,80%) foi próxima à do mês anterior, com influência de mensalidades escolares; em 12 meses, índice atinge 6,01%
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 04/03/2011 12h45, última modificação 04/03/2011 12h47
Inflação de fevereiro (0,80%) foi próxima à do mês anterior, com influência de mensalidades escolares; em 12 meses, índice atinge 6,01%

São Paulo – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve inflação de 0,80% em fevereiro,  um pouco abaixo do mês anterior (0,83%) e acima de fevereiro de 2010 (0,78%).  Para o mês, foi a taxa mais alta desde 2003 (1,57%). O resultado foi influenciado principalmente pela alta sazonal das mensalidades escolares. O grupo Educação contribuiu com 51% do total do mês. Já os preços de alimentação tiveram forte desaceleração, passando de 1,16% para 0,23%. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O IPCA soma 1,64% no ano (ante 1,54% no primeiro bimestre do ano passado) e 6,01% em 12 meses, índice próximo ao dos 12 meses imediatamente  anteriores (5,99%), próximo do topo da meta fixada pelo governo (6,5%).

Se em janeiro os preços de produtos alimentícios foram responsáveis por 33% do IPCA total, no mês passado essa participação caiu para 6% – com o preço do item carnes caindo 2,81%, –.enquanto educação saltou de 2% para 51%. "Refletindo os reajustes típicos do início do ano, o aumento de 6,41% nas mensalidades dos cursos de ensino formal, com 0,31 ponto percentual, constituiu-se na maior contribuição individual do mês", diz o IBGE.

Outro alta foi do grupo de despesas pessoais, que foi de 0,83% para 1,43%. Segundo o instituto, a elevação foi consequência de aumento no preço dos cigarros (de zero para 3,64%), além de jogos de azar (de 0,86% para 9,72%) e salários dos empregados domésticos (0,91%, tanto em janeiro como em fevereiro).

O grupo Transporte desacelerou de 1,55% para 0,46%, "sob influência da menor variação de preços em itens importantes na despesa das famílias". O principal foi o das tarifas de ônibus urbanos, cuja variação passou de 4,13% para 1,30%, "refletindo a complementação de reajustes ocorridos em janeiro e parte de reajuste em vigor em fevereiro". As tarifas de ônibus intermunicipais também desaceleram de janeiro para fevereiro (de 2,50% para 0,88%), "reflexo das variações ocorridas em São Paulo (3,41%), Recife (0,86%) e Goiânia (0,24%). No mesmo grupo, as taxas dos combustíveis foram de 0,84% para 0,66% – a gasolina passou de 0,62% para 0,50%, enquanto o etanol desacelerou de 3,78% para 2,55%.

Entre as regiões pesquisadas, a maior taxa foi apurada em São Paulo (1%), com influência, principalmente, dos grupos alimentação e bebidas (0,39%) e transportes (0,96%). O menor índice foi o de Fortaleza (0,22%).

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mostrou forte desaceleração em fevereiro, atingindo 0,54%, ante 0,94% no mês anterior e 0,70% em fevereiro de 2010. O acumulado do bimestre ficou em 1,49%, ante 1,59% em igual período do ano passado. Em 12 meses, o INPC chega a 6,36%, abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores (6,53%).

Calculado desde 1980, o IPCA refere-se a famílias com rendimento de até 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas, além de Brasília e do município de Goiânia. Já o INPC, calculado desde 1979, inclui famílias com rendimento de até seis salários mínimos.