Você está aqui: Página Inicial / Economia / 2009 / 05 / Mudanças na caderneta de poupança devem gerar redução de juros, afirma Dieese

Mudanças na caderneta de poupança devem gerar redução de juros, afirma Dieese

Presidente Lula defende que alterações farão deslocamento de recursos da especulação para os setores produtivos
por João Peres, da RBA publicado 18/05/2009 13h28, última modificação 18/05/2009 13h33
Presidente Lula defende que alterações farão deslocamento de recursos da especulação para os setores produtivos

O governo acertou ao taxar os que têm aplicações acima de R$ 50 mil na poupança por atingir um grupo muito pequeno e evitar que haja especulação de grandes aplicadores com esse tipo de rendimento, avalia o supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Sérgio Mendonça. Em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta segunda-feira (18), ele afirmou que o processo deve ser conduzido com calma e transparência e que não há motivos para pânico entre as classes baixa e média, que não serão afetadas pela medida. 

"Se a gente caminhar para uma taxa próxima de oito por cento, já terá sido a mais baixa desde a criação do Plano Real"

Mendonça considera que aqueles que têm mais que R$ 50 mil geralmente procuram investimentos mais ousados e que, em todo o mundo, a caderneta de poupança remunera menos porque é mais segura e tem mais liquidez. 

O presidente Lula defendeu no programa semanal “Café com o presidente” que as mudanças de regras vão ajudar a taxa de juros a cair. Com isso, o dinheiro que hoje está na especulação vai para a produção. Lula apontou que a redução da Selic pelo Banco Central é possível pela baixa inflação, a crise econômica e a estabilidade financeira do Brasil. 

Sérgio Mendonça concorda que será removido um obstáculo para a queda da taxa básica, o que deve ter outra consequência positiva: com a Selic muito alta, o país atrai muito capital especulativo, que é aquele que vem para ganhos a curto prazo, não representa nenhum investimento na economia e migra para outros mercados ao menor sinal de dificuldade. Com a saída de especuladores devido às mudanças no rendimento da poupança, há ainda mais espaço para que o Banco Central promova novas reduções. 

Mas o supervisor técnico do Dieese não é tão otimista quanto alguns analistas, que agora apostam que a taxa chegará brevemente a 7% ao ano: “a Selic deve ficar em torno de 9% nas próximas reuniões e, se você descontar a inflação, que deve ficar em 4% nos próximos meses, você está falando de uma taxa básica real em torno de 5%. Ainda é muito alto. Os Estados Unidos estão com zero, a Inglaterra com um [por cento]. Se a gente caminhar para uma taxa próxima de oito, já terá sido a mais baixa desde a criação do Plano Real”.

Sérgio Mendonça lembra que, como a Selic é um indexador da dívida pública, o governo gasta menos com isso, liberando mais verbas do orçamento para ações sociais e em infra-estrutura. Além disso, fica mais fácil obter crédito a juros baixos, estimulando o consumo.

registrado em: ,