Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2012 / 02 / Justiça arquiva processo contra acusado de matar camponês em Rondônia

Justiça arquiva processo contra acusado de matar camponês em Rondônia

Juiz argumenta que morte do réu justifica decisão, que barra investigação sobre a existência de mandantes na morte de Adelino Ramos, o Dinho
por Redação da RBA publicado 02/02/2012 17h38, última modificação 02/02/2012 18h10
Juiz argumenta que morte do réu justifica decisão, que barra investigação sobre a existência de mandantes na morte de Adelino Ramos, o Dinho

São Paulo – O Tribunal de Justiça de Rondônia arquivou nesta quinta-feira (2) a ação penal contra Osias Vicente, acusado de matar o camponês Adelino Ramos, o Dinho, integrante de movimentos de luta por reforma agrária na Amazônia.

O juiz José Gonçalves da Silva Filho tomou a decisão com base na morte de Osias, ocorrida no último dia 17 em Vista Alegre do Abunã, município próximo à divisa com o Amazonas e onde também havia sido assassinada, em maio de 2011, a vítima. “O Ministério Público emitiu parecer nos autos e pediu a extinção da punibilidade em virtude da morte do acusado”, explicou o magistrado, que não quis conceder entrevista. 

Ele também preferiu não se pronunciar quando o réu foi morto. Osias recebeu a liberdade em 17 de dezembro, menos de um mês antes do homicídio, mesmo com parecer contrário do Ministério Público Estadual. 

O arquivamento do caso barra a possibilidade de que a investigação chegue aos mandantes do crime, hipótese aventada por pessoas próximas a Dinho. O assassinato do líder camponês chegou a ser lamentado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em meio ao registro de uma série de crimes parecidos no Norte do país. À época, a ministra Maria do Rosário admitiu também que o governo não tinha condições de oferecer segurança a todos os camponeses ameaçados.

Dinho era sobrevivente do massacre de Corumbiara, ocorrido em 1995 contra trabalhadores rurais. Ele chegou a ser processado à época com base em uma investigação conduzida pela Polícia Militar, responsável pelos crimes, mas acabou livre de julgamento. O filho dele, Claudemir Ramos, porém, acabou condenado e desde 2004, quando se esgotaram os recursos, é dado como foragido.