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Nível do Rio Negro deve começar a baixar em algumas semanas

Cheia atual, maior da história de Manaus, é resultado de uma série de fatores que geraram chuva acima da média
por João Peres, da RBA publicado 26/06/2009 13h37, última modificação 26/06/2009 13h40
Cheia atual, maior da história de Manaus, é resultado de uma série de fatores que geraram chuva acima da média

Imagem aérea mostra estragos da chuva em Manaus (Foto: divulgação)

O alagamento da Zona Sul e do centro de Manaus é fruto, entre outras coisas, do excedente de água registrado no segundo semestre de 2008. A redução da cota nos meses de seca não ocorreu da maneira esperada por conta da chuva que logo retornou.

A atuação atípica da Zona de Convergência Intertropical explica as tempestades mais carregadas que o normal. Como encontrou uma corrente do Oceano Atlântico muito aquecida, o vapor d’água deslocou-se ao continente com força maior, gerando mais chuva entre novembro e janeiro. Quando as tempestades deveriam amainar, um novo aquecimento das águas do oceano gerado a partir da costa da África provocou chuvas desde o Nordeste brasileiro – o que explica as enchentes ocorridas no mês passado naquela região.

Boa parte dessa umidade deslocou-se para o extremo Oeste do território nacional, exatamente onde estão as nascentes dos principais rios amazônicos, entre eles o Solimões, que tem um volume muito maior que o Negro e empurrou este rio, elevando o nível à marca histórica de 29,72 metros.

Os boletins da Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Manaus apontavam desde outubro que, a partir de dezembro, a chuva na região seria mais forte que o comum.

No entanto, segundo o chefe do departamento, Ricardo Dallarosa, a situação deve melhorar ao longo dos próximos dias. No extremo oeste, em Tabatinga, o nível do Solimões começa a baixar, o que deve reduzir a pressão sobre o Negro, que sozinho não teria força para alagar Manaus desta maneira.

Agora, explica Dallarosa, “a zona de convergência já está no Norte e começa a chover acima do zero grau (divisão hemisférica), onde está a bacia do rio Negro. Na verdade, a contribuição dos rios da margem esquerda é bem inferior aos da direita, que são os maiores tributários da Amazônia. Como não está chovendo muito sobre estes rios, começam a diminuir as contribuições ao sistema Solimões-Amazonas. No norte, o principal é o rio Negro, que sozinho não será suficiente para subir o rio”.

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