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Banda Puerto Madero apresenta punk rock ensolarado em CD de estreia

por guibryan1 publicado 18/07/2012 19h27

Puerto Madero é um bairro nobre de Buenos Aires, localizado às margens do rio da Prata. Mas a banda que leva o nome do bairro não é argentina, mas brasileira, surgiu em São Bernardo do Campo (SP) e destila um punk rock agitado, com pitadas de ska e com direito a baladas. É bom lembrar que, há cerca de três décadas, a cidade do ABC paulista era um dos principais espaços para a manifestação de artistas desse estilo musical e de comportamento que revolucionou a música na virada da década de 70 para a de 80.

Formada em março de 2009, a banda venceu, no mesmo ano, um festival do site Zona Punk e lançou o primeiro EP, ao vivo. Dois anos depois, depois de sofrer inúmeras mudanças, com entra e sai de integrantes, o trio André (vocal e baixo), Barnez (vocal e guitarra) e Filipe (bateria) participou do festival Promessas do ABC e gravou o primeiro álbum homônimo, com 13 faixas, que pode ser ouvido no MySpace e no Facebook.

“Puerto Madero” começa com a animada e praieira “Não Quero Mais”: “Sábado gelado e o sol / tá na janela / brilhando o outro lado / e os meus olhos vão fechar”. Se essa canção menciona o sábado, o final de semana começa mesmo na “Sexta-feira”, título de outro rock ensolarado: “Mas hoje é sexta-feira / Eu vou beber a noite inteira / Fazer da vida uma brincadeira / corro pro brinde e a saideira”. As letras tem uma linguagem clara e direta, estabelecendo contato com a garotada esperta que não está nem aí para baixo astral e crises existenciais.

Mesmo o fora da namorada e a solidão são motivos para um punk rock azeitado, em “Sonhos Profundos”. Afinal, o que parece valer a pena mesmo é se divertir “Ao Lado dos Brothers”, como indica o título de outra canção, bem no estilo punk rock californiano: “Desliga, comida / prometo que eu não vou me embebedar / Se as coisas estão claras assim / podemos curtir e aproveitar”. O único senão é que os garotos deveriam aproveitar um pouco mais a casa de veraneio. O mesmo clima reaparece na deliciosa e animada “O Tombo”, que lembra um pouco Os Paralamas do Sucesso nos primeiros álbuns.

Para quem aposta que os garotos não passam de mais uma bandinha colorida da moda, sente só o solo de guitarra de Barnez e a porrada da bateria de Filipe, em “Lá Vamos Nós”, que relata, no melhor estilo de crônica adolescente, um passeio de “buzão”: “O tênis no asfalto / retrata o que é verdade / ter a decisão em suas mãos” . Pela contracapa do álbum, dá para imaginar qual é o destino dos rapazes – a praia. O indício é comprovado pelo ska empolgante “Mundo de Mentiras”, cuja letra estabelece contato direto com a anterior, misturando romance juvenil com leve crítica social. Mesmo clima tem a ótima “Beijos Seus”: “Azul ou cinza não importa mais / e eu fico com o que restou / se vim aqui é por você / não consigo te esquecer”.

Há ainda espaço para a balada acústica “Pense Nisso”, que lembra um pouco o Biquíni Cavadão; seguida pelo metal “Assombração”, com a participação especial da vocalista Paps: “A verdade é que o perigo me atrai / O calendário vai chegando ao fim / Não preciso de nada, não tenho nem casa / Ninguém gosta de mim”.

O álbum termina com a espécie de tratado autoral “Meu Som”: “Eu quero ser um punk e você o que quer ser? / todo mundo pensa merda e não me pergunta porque / O meu som é o mais legal, se você quer saber / o punk rock é maneiro, venha conhecer / ... / você curte micareta / e não quer saber de punk rock / então, desliga esse som”. Mas a mensagem final parece vir mesmo com o riff poderoso da guitarra de Barnez e o acompanhamento pesado do baixo de André e da bateria de Filipe, com pegada à la Metallica, em “Até Eu Descobrir”, que lembra o rock nacional da década passada e nasceu para tocar no rádio: “Se isso deu errado eu quero mudar / Já pensou porque você está aqui? / eu junto uma força pra me acompanhar / desistir jamais, coisa que eu nunca fiz”. Fiquem tranquilos, garotos, vocês estão no caminho mais do que certo e é isso aí: desistir jamais. Que venham os próximos álbuns.

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