sinal de desespero

Decisão contra greve dos petroleiros é ‘abusiva’, afirma diretor da FUP

Ministro Ives Gandra se comporta como “representante dos patrões”, em vez de atuar como juiz, segundo João Antônio de Moraes

Reprodução/FUP
Até segunda (17) greve atingia 21 mil petroleiros em 121 unidades da Petrobras

São Paulo – O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Ives Gandra Martins classificou a greve dos petroleiros como “ilegal“, em despacho publicado na noite desta segunda-feira (17). Ele também afirmou haver “motivações políticas” e estabeleceu multa diária de R$ 250 mil a R$ 500 mil, além do bloqueio de contas e retenção de repasse de mensalidades associativas aos sindicatos envolvidos na paralisação.

Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) João Antônio de Moraes, a decisão do ministro é “intempestiva” e “abusiva”. Também seria ilegal, segundo ele, pois o tema deveria ser apreciado pelo colegiado do tribunal, e não decidido monocraticamente.

“Os petroleiros têm cumprido todos os ritos. A nossa greve é legal e constitucional. Gandra se comporta como mero representante do capital, do patronato, atendendo totalmente os absurdos solicitados pela direção da Petrobras”, disse Moraes à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (18).

Despertar

A greve dos petroleiros chega ao 18º dia contra demissões em massa na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen) e pelo cumprimento do acordo coletivo de trabalho (ACT). Segundo Moraes, a FUP deve ouvir os sindicatos que, por sua vez, devem consultar as bases, para decidir os rumos da paralisação.

Os petroleiros também realizam na tarde desta terça-feira (18) uma manifestação na sede da empresa, no Rio de Janeiro, onde está instalada uma comissão permanente de petroleiros, que ocupam uma das salas da empresa, demonstrando a intenção da categoria em negociar. Mas a direção da estatal permanece “intransigente”, segundo o diretor da FUP.

Ele afirma que a decisão do TST representa o “desespero” por parte do governo devido à força do movimento, que começa a angariar apoio junto à sociedade, apesar do bloqueio da mídia tradicional. A greve também tem servido para conscientizar as pessoas contra o equívoco que é a política de preços dos combustíveis que acompanha a variação do mercado internacional.

“Os caminhoneiros já perceberam que reduzir os impostos, como propõe Bolsonaro, é um engodo. Tem que acabar com a paridade internacional. Pela primeira vez eles estão discutindo esse absurdo estabelecido por Temer e mantido por Bolsonaro. O desespero do governo reflete a organização da greve e o quanto já é vitoriosa, na medida em que desperta a sociedade”, disse o diretor da FUP.

Caminhoneiros

O presidente do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport), Francisco José Nogueira da Silva, o Chicão, comentou os “momentos de tensão” vividos pelos motoristas nesta segunda no Porto de Santos. Segundo ele, não havia bloqueio, mas atividades de conscientização entre os caminhoneiros, que desenvolvem ações ao longo da semana pela aplicação da tabela do frete. A mobilização acabou com a prisão do presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Alexsandro Viviani, o Italiano.

Sobre os petroleiros, Chicão classificou como “companheiros guerreiros” que estão em luta em favor da Petrobras e contra a política de preços dos combustíveis. “Eles estão em defesa do patrimônio nacional, do gás e do petróleo. Sabemos que se não for dessa forma, vai ficar cada vez mais difícil para a população. Estamos (na Baixada Santista) com a Transpetro aqui do lado, com o gás a R$ 90. Está muito caro, imagina se privatizar.”

Ele também comentou que “a ficha começa a cair” para parte dos caminhoneiros que apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro. “Alguns ainda acreditam, outros estão mais ressabiados. Até porque o plano do governo é investir em ferrovias. Levaram outro golpe, no sentido de apoiar um presidente que não tem compromisso com a classe trabalhadora.”


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