Em 20 estados

Contra retirada de direitos e privatização, funcionários dos Correios entram em greve

Trabalhadores afirmam que em 50 dias a empresa nada ofereceu e propôs apenas cortes, preparando a estatal para futuro processo de privatização

reprodução/Fentect
correios greve

Trabalhadores dos Correios recebem os menores salários entre as empresas públicas e estatais

São Paulo – Depois de mais de 50 dias de negociação sem sucesso, funcionários dos Correios de 20 estados e do Distrito Federal decidiram na noite desta quarta-feira (20) entrar em greve por tempo indeterminado. Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), apenas os estados do Acre, Rondônia e Roraima ainda não aderiram à paralisação. 

Entre as reivindicações da categoria estão 8% de reposição salarial e reajuste de 10% no valor dos benefícios. Os trabalhadores afirmam que durante as negociações a direção do Correio se limitou a propor a retirada de cláusulas já existentes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). 

Segundo o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo, a greve por tempo indeterminado é “Para manter todos os direitos da classe trabalhadora que estão sendo duramente atacados nesta campanha salarial.” Com o lema da campanha  “Nossos direitos e empregos ficam, Guilherme Campos sai”, os trabalhadores pedem a saída do presidente dos Correios, a quem atribuem os cortes e a fracassada negociação.

Os trabalhadores dos Correios denunciam ainda ameaças de demissão motivada; corte em investimentos, incluindo novos concursos públicos; a suspensão das férias dos trabalhadores; retirada de vigilantes das agências, interferências e o sucateamento no plano de saúde da categoria, além do fechamento de agências por todo, o que também afeta o serviço prestado à população. 

Os trabalhadores temem que todos esses cortes sirvam para reduzir os custos de funcionamento da empresa para assim ficar mais atrativa aos investidores em provável processo de privatização. “Se nós não formos à luta, vamos deixar a empresa mais barata para ser privatizada”, diz o diretor da Fentect Rogério Ubine.