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Fiscalização flagra trabalho análogo ao escravo em obra de shopping em Recife

Segundo o Ministério do Trabalho, operários estavam alojados em condições precárias, sem água potável e dormindo sobre colchões sujos no chão
por Redação da RBA publicado , última modificação 17/02/2012 15h43
Segundo o Ministério do Trabalho, operários estavam alojados em condições precárias, sem água potável e dormindo sobre colchões sujos no chão

São Paulo – Seis trabalhadores em situação análoga à de escravo foram encontrados em obra de construção em um shopping  na zona sul de Recife. Eles eram trabalhadores "quarteirizados", arregimentados por uma empresa em Minas Gerais, Paraná e Piauí. "Os empregados foram alojados em condições precárias, alguns sem salário por aproximadamente quarenta dias e com Carteira de Trabalho retida na sede da empresa, que fica no Paraná. Não dispunham de água potável para beber, de roupas de cama, além de dormirem sobre colchões sujos e até mofados diretamente sobre o chão. Nenhuma medida de higiene e limpeza foi observada no local, onde a empresa não fornecia sequer papel higiênico", diz o Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo informações da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) de Pernambuco, parte dos trabalhadores está nessa condição desde novembro e outra, desde o mês passado.

Os trabalhadores resgatados pela fiscalização estavam a serviço da Mastel Montagem de Estruturas Metálicas. Eles estavam em obras de construção do Shopping Riomar, do grupo JCPM. De acordo com a SRTE, há aproximadamente 2.200 trabalhadores no canteiro de obras, sendo mil terceirizados ou "quarteirizados".

De acordo com o auditor Carlos Silva, que coordenou a operação, a empresa descumpriu várias obrigações legais, relativas a itens como alojamento e segurança. "Os trabalhadores denunciam que chegaram  a comer até mesmo macarrão e feijão azedos nas refeições oferecidas pela empresa", informa a superintendência. A obra foi embargada e o alojamento dos trabalhadores da Mastel, interditado. "Em retorno ao local de trabalho e alojamento, os auditores constataram que os trabalhadores continuavam nas mesmas condições de alojamento, o que implicou em lavratura de auto de infração por desrespeito à interdição e o remanejamento imediato dos trabalhadores para local adequado. A empresa informou hoje, que os trabalhadores estão hospedados em um hotel da cidade, com endereço conhecido pela equipe de fiscalização."

Após receber as verbas rescisórias e a guia de seguro-desemprego especial, os operários deverão retornar a suas cidades de origem na próxima segunda-feira (20).