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Número 29, Novembro 2008

Retrato

A vitória de Joana D'Arc

por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado , última modificação 06/12/2017 12h08
Rene Moreira
Joana D’Arc

Aos 4 anos Joana D’Arc já lia jornais no canto das salas onde a mãe faxinava, em Franca (SP). Atenta, a diretora permitiu o acesso precoce da menina à 1ª série. O desempenho disparou com o passar do tempo. Aos 14 anos, a garota foi aprovada na lista dos vestibulandos da USP, Unesp e Unicamp. Escolheu a última, se graduou em Química Orgânica, fez mestrado e doutorado. Suas publicações atraíram a atenção da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, onde concluiu pós-doutorado com base no estudo de um grave problema social e ambiental: o lixo. Aos 30 anos, Joana D’Arc Félix de Sousa é referência mundial em reaproveitamento de resíduos orgânicos e industriais. Agora, vive o desafio de pôr sua pesquisa em prática, a começar por Franca (SP), sua cidade natal.

Inicialmente, 10 toneladas de lixo doméstico (5% do total) vão virar adubo. Em seis meses, será a totalidade. O resultado prevê a recuperação total até de áreas de aterro. Depois será reaproveitado o lixo gerado por curtumes, indústria calçadista e canaviais. A fórmula para transformar lixo em fertilizante é secreta. “Posso revelar que a alma de tudo está em uma plantinha que cultivo no fundo do meu quintal”, diz. A menina filha de um curtumeiro, que viveu o suficiente para vê-la doutora, está prestes a conhecer a fama e, quem sabe, a fortuna. Joana já foi assediada por outras prefeituras, consulados da Itália e Espanha e multinacionais. Feito digno de heroína, num tempo em que são apresentados ao planeta mais problemas do que soluções ambientais.

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