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Relatora da CPMI: há ‘fortes condições’ para indiciar Bolsonaro

“De recruta a general, ninguém será poupado”, disse a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) sobre provável envolvimento de militares em esquema para fraudar urnas eletrônicas

Jefferson Rudy/Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado
Relatora classificou como "bombástico" depoimento do hacker Walter Delgatti

São Paulo – Relatora da CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) classificou como “bombástico” o depoimento do hacker Walter Delgatti. Em entrevista coletiva após a sessão desta quinta-feira (17), ela declarou que a CPMI já tem “fortes condições” de recomendar o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Disse, porém, que ainda é preciso “compatibilizar” as declarações de Delgatti com evidências documentais.

Aos parlamentares, Delgatti afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria lhe prometido indulto se conseguisse invadir as urnas eletrônicas. Disse ainda que esteve cinco vezes no Ministério da Defesa e que “orientou” o relatório dos militares sobre a segurança do sistema de votação.

“Não há dúvida nenhuma que é um depoimento bombástico, pela gravidade das informações que foram passadas pelo depoente. Os elementos apresentados nos dão fortes condições de, ao final (da CPMI), termos o indiciamento do ex-presidente Bolsonaro. Com esses dados que chegarão até nós, sendo confirmadas as informações de hoje, não há dúvida nenhuma de que partiremos para esses indiciamentos”, disse a senadora.

“Ninguém será poupado”

Ela também informou que vai pedir a quebra dos sigilos telemático (mensagens e contatos) e fiscal de Bolsonaro, do ex-ministro da Defesa general Paulo Sérgio Nogueira e da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Eles também poderão ser convocadas para depoimento e acareação.

Delgatti relatou que se reuniu com Bolsonaro, que lhe prometeu “indulto” caso conseguisse invadir as urnas eletrônicas. Após o primeiro contato, Bolsonaro teria lhe encaminhado ao Ministério da Defesa, para tratar de “questões técnicas” relativas à segurança do processo eleitoral. O então presidente queria que o hacker trabalhasse junto à Defesa para criar um código-fonte falso, que iria expor uma suposta fragilidade das urnas.

“Investigaremos na CPMI e não pouparemos ninguém, inclusive, aqueles que se esconderam na farda para cometer atos golpistas. De recruta a general, ninguém será poupado”, afirmou Eliziane, em postagem nas redes sociais.

Eliziane disse ainda que uma das mais importantes revelações de Delgatti à CPMI foi quando relatou que Bolsonaro pediu a ele para “assumir” a autoria de um suposto grampo contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Hoje foi um dia muito importante. (Delgatti) trouxe informações absolutamente graves envolvendo o ex-presidente da República no exercício do mandato dentro da estrutura e dos espaços da Presidência”.


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