Debate na TV Globo

Haddad e Tarcísio se enfrentam nesta quinta, no último debate antes do segundo turno

Cresce a expectativa sobre o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo após a última pesquisa Ipec apresentar empate técnico. Os candidatos ao governo de outros 11 estados também se confrontam hoje após a exibição da novela das 21h na Globo

Reprodução/Band
Reprodução/Band
A ideia da campanha do petista é também explorar a ligação de Tarcísio com o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e a história ainda não elucidada do tiroteiro em Paraisópolis

São Paulo – Os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), protagonizam na noite desta quinta-feira (27) o último debate antes do segundo turno das eleições no domingo (30). O encontro será promovido pela TV Globo, a partir das 22h. 

O embate é considerado decisivo para as duas campanhas. No primeiro turno, o ex-ministro de Infraestrutura do governo de Jair Bolsonaro (PL) alcançou 9,9 milhões e votos, o equivalente a 49,45%. Já o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo terminou em segundo, com 8,3 milhões de votos, ou 35,7% do total. Apesar da liderança inicial, o confronto desta quinta ganhou ainda mais fôlego após pesquisa Ipec, divulgada há dois dias, mostrar uma situação de empate técnico entre os candidatos. 

De acordo com o levantamento, Haddad conseguiu diminuir a diferença para Tarcísio, subindo para 43% suas intenções de voto, contra 46%. Com o debate, a campanha do petista quer buscar os indecisos com a avaliação de que eles podem decidir a eleição a favor do ex-prefeito. Haddad também prepara uma estratégia mais incisiva sobre Tarcísio. A previsão é que ele repita a lógica de nacionalização da campanha, abordando as contradições do governo Bolsonaro, que apoia a candidatura de seu adversário. 

Críticas a Tarcísio e virada para Haddad

A pesquisa Ipec também mostrou que 32% do eleitorado paulista avalia como péssima a atual gestão federal. O índice de rejeição a Bolsonaro é ainda maior na região metropolitana (37%) e só cai, para 27%, no interior. A ideia da campanha do petista também é atacar Tarcísio sobre sua ligação com o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) que disparou 50 tiros e atirou três granadas contra agentes da Polícia Federal no domingo (23). Assim como a denúncia de que um assessor do candidato bolsonarista mandou apagar vídeo de um tiroteio em Paraisópolis. 

O doutorando pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) Pedro Bruzzi, sócio da consultoria de dados Arquimedes, identificou que, nos últimos dias, menções negativas a Tarcísio dispararam após o áudio revelado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a ordem do assessor do bolsonarista. De acordo com Bruzzi, “a história mal explicada do vídeo do tiroteio”, tem sido o principal assunto em torno do candidato a governador. 

“Vale destacar que palavras relacionadas a uma possível virada de Haddad também estão em destaque. São todas pautas negativas para o bolsonarista”, apontou o especialista. Os comentários vêm centrando principalmente na notícia de que o assessor seria o agente licenciado da Abin Fabrício Cardoso de Paiva, nomeado pelo governo Bolsonaro. Assim como a denúncia de que Felipe Silva de Lima, de 27 anos, tenha sido executado em Paraisópolis no momento da visita de Tarcísio, no dia 17. 

Fuga

Outra estratégia do petista será criticar a fuga do oponente dos debates. Ao longo deste segundo turno, o o candidato do Republicano participou apenas de um confronto direito, na TV Bandeirantes, no dia 11 de outubro. Depois desse encontro, ele se ausentou de um debate que seria realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo e a Rádio Eldorado, com o “pool” formado por SBT, CNN, Veja, Terra e Rádio Nova Brasil. E de sua participação que faria no programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 17. 

Haddad alega que Tarcísio teria a obrigação de se apresentar ao público por não ser conhecido. Ainda ontem, em sabatina do portal UOL e do jornal Folha, o candidato do PT comentou que “ele não tinha razão nenhuma para se furtar a participar desses eventos. Eu lamento o fato de ele ter desaparecido. Espero que na quinta-feira ele compareça à Rede Globo, pelo menos para dar uma satisfação para o eleitor de São Paulo”, provocou. 

Fama de forasteiro

O candidato bolsonarista, por sua vez, prepara uma estratégia de “cautela”. A expectativa de seus aliados, segundo interlocutores descreveram ao portal UOL, é que Tarcísio mostre tranquilidade durante as falas e que fuja de questões “polêmicas”. É o caso da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da retirada de câmeras corporais da farda de policiais militares. 

A equipe de Tarcísio quer tentar contornar os deslizes do candidato, que é nascido no Rio de Janeiro, e tem hoje a fama de “forasteiro”. No debate da Band, por exemplo, ele errou ao falar o nome de um tradicional bairro paulistano, no centro, ao trocar Campos Elíseos por “Campos dos Elíseos”. Além da denúncia de que o imóvel declarado por ele à Justiça Eleitoral, para comprovar residência em São José dos Campos, era na verdade ocupado por um sobrinho de Tarcísio. 

Debates em outros 11 estados

Nesta quinta também são realizados debates com os candidatos aos governadores de outros 11 estados que terão segundo turno. É o caso de Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

Os encontros serão promovidas pela TV Globo e suas afiliadas e transmitidos após a novela das 21h. 



Leia também


Últimas notícias