um ano depois

‘Ainda há muitos detalhes não revelados sobre o dia 8 de janeiro de 2023’, diz Cappelli

A noite do domingo do ataque à Praça dos Três Poderes foi, segundo ele, o momento mais tenso depois da tentativa de golpe com a invasão de Brasília

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
"Houve de tudo. Cada dia daria um documentário. Um trabalho coletivo guiado pela firmeza histórica"

São Paulo – O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli, afirmou nesta terça-feira (9) que faltam muitas revelações em torno do 8 de janeiro, o domingo em que 4 mil criminosos de extrema direita, seguidores de Jair Bolsonaro, atacaram os prédios do Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso. Cappelli foi nomeado interventor da Segurança Pública no lugar do bolsonarista Anderson Torres, que estava fora do país no dia do atentado e depois foi preso por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Ainda há muitos detalhes não revelados sobre a noite do dia 8 de janeiro de 2023 e aqueles difíceis dias da primeira semana. Houve de tudo. Cada dia daria um documentário. Um trabalho coletivo guiado pela firmeza histórica e o compromisso inabalável com o Brasil”, escreveu Capelli em sua página no X, antigo Twitter.

A noite daquele domingo referida pelo secretário foi o momento mais tenso depois da tentativa de golpe com a invasão de Brasília. Foi quando houve uma reunião entre a cúpula do Ministério da Justiça, com a presença de Flávio Dino e Capelli, de um lado, e o comando militar de outro. Na ocasião, o comandante do Exército, general José César Arruda, se recusou a permitir que a Polícia Federal e forças policiais militares do Distrito Federal desmontassem o acampamento golpista e prendessem os criminosos.

Diálogo tenso na noite do 8 de janeiro

O relato sobre esse episódio foi do próprio Flávio Dino no documentário 8/1 – A democracia resiste, exibido pela GloboNews no último domingo (7) e ontem. “Digo pro comandante: ‘Vamos cumprir o que a lei manda’. E aí ele diz: ‘Não, não vão’”, contou Dino.

No X, hoje, Capelli continua o relato. “Na manhã do dia 9 de janeiro de 2023, os ônibus com os golpistas saíram do QG do Exército e, misteriosamente, não chegavam na sede da PF. O coronel Jorge Naime – preso desde fevereiro – havia mandado os ônibus pararem no meio do caminho. Meu enfrentamento com ele foi um dos momentos emblemáticos”, escreve o ministro da Justiça interino.

“9 de janeiro de 2024. Há exatamente 1 ano atrás estávamos desmontando o acampamento golpista e comandando a maior operação de polícia judiciária da história para prender mais de 1.300 golpistas. Foram 72 horas de trabalho ininterrupto sob forte tensão”, tuitou ainda Capelli.

Depois de ser confirmado pelo Senado como novo ministro do STF, no lugar de Rosa Weber, Dino pediu a Lula para tirar alguns dias de férias da última semana de dezembro até o início de janeiro, período em que Cappelli assumiu como ministro interinamente.

Lewandowski continua favorito para assumir pasta

As especulações em Brasília apontam favoritismo amplo de Ricardo Lewandowski para assumir a pasta em lugar de Flávio Dino, embora haja quem defenda que Cappelli seja efetivado, por seu papel relevante no enfrentamento ao período da tentativa de golpe. Lula deve confirmar o nome do próximo ministro da Justiça e Segurança Pública esta semana, a qualquer momento.

O presidente e Lewandowski vêm conversando há semanas. O ex-ministro do STF esteve, por exemplo, na comitiva de Lula na viagem à Arábia Saudita no fim de novembro.

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