hesitação

Pelo segundo dia seguido, Bolsonaro cancela pronunciamento por rádio e TV. Capitais fazem panelaço

Nas janelas da capital paulista, os moradores protestaram com gritos de “fora, genocida”, “fora, Bolsonaro” e “assassino”

Alan Santos/PR
Motivo do cancelamento do pronunciamento não foi divulgado pela Secom

São Paulo – Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Jair Bolsonaro cancelou pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, previsto para as 20h30 desta quarta-feira (3). Nem o chefe do Executivo nem a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) informaram a razão do cancelamento. A informação é da coluna Radar, da revista Veja. Não foi divulgada nova data para fala de Bolsonaro.

Em vez de ouvir pronunciamento, as cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre realizaram panelaços. Na capital paulista, as manifestações foram ouvidas em bairros como Água Branca, Bela Vista, Paraíso, Jardins, Butantã, Pinheiros e Perdizes e também na região central. Nas janelas, os moradores protestaram com gritos de “fora, genocida”, “fora, Bolsonaro” e “assassino”.

A expectativa era de que, nos pronunciamentos cancelados, o presidente falasse sobre a necessidade das medidas fiscais “prioritárias” do ministro Paulo Guedes (Economia) e isenção de impostos sobre combustíveis. Também era esperado que voltasse a atacar medidas restritivas e de isolamento de governos estaduais devido à crise sanitária. O país não para de bater recordes em número de mortos e novos casos de covid-19.

Na terça-feira (2), 22 governadores e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), se reuniram para discutir o combate à pandemia de covid-19. No mesmo momento da reunião, Bolsonaro promovia almoço “alegre” e “descontraído” no Palácio do Planalto, oferecido ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e parlamentares da bancada mineira. Os comensais tiveram como prato principal leitão assado.

Enquanto Bolsonaro prossegue com sua política negacionista e promove confraternizações com aliados, a covid-19 avança e o país já é o epicentro mundial da pandemia. Hoje, o Brasil registrou 1.910 mortos, o número de óbitos mais alto desde março, no início do surto. É o pior momento da pandemia, que chegou a 259.271 mortos e 10.718.630 de infectados em solo brasileiro.

Vacinas no Congresso

Na tarde desta quarta, o plenário do Senado aprovou a Medida Provisória 1.004/2020, que abre crédito extraordinário de R$ 2,5 bilhões para a participação do Brasil no consórcio internacional Covax Facility, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que deve trazer 10,6 milhões de doses de vacinas ao país. A MP vai à promulgação pelo Congresso Nacional.

No mesmo dia, até às 21h30, a Casa deliberava sobre a PEC Emergencial. O plenário rejeitou, por 49 votos a 25, proposta da oposição para que se desvinculasse o auxílio emergencial da pauta fiscal do governo.


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