Cai a máscara

Moro praticou a mesma corrupção que dizia combater na Lava Jato, diz Paulo Teixeira

“Ele fez acordo de leniência com as empresas muito favoráveis a elas e agora está colhendo os frutos”, afirma deputado

Lula Marques
Ex-juiz recomendou à Odebrecht que fechasse acordos de leniência, com a adoção de "compliance"

São Paulo – O ex-juiz Sergio Moro praticou o mesmo ato que ele criminalizou na condução da operação Lava Jato, na opinião do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP). O parlamentar é autor de um pedido de investigação à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre eventual prática de corrupção do ex-juiz federal e ex-ministro de Bolsonaro, ao ser contratado pela empresa norte-americana de consultoria Alvarez & Marsal (A&M). “Ele fez acordo de leniência com as empresas (construtoras) muito favoráveis a elas e agora está colhendo os frutos. Então, praticou corrupção. Esta é a questão”, afirma Teixeira à RBA.

O deputado lembra, que na prática Moro ajudou a arrumar clientes – Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS – para a empresa estadunidense, especializada na reestruturação de empresas em dificuldades financeiras e em administração judicial de companhias em recuperação judicial ou que já decretaram falência, caso, por exemplo, das empreiteiras Odebrecht e OAS. O parlamentar tentará uma audiência com o procurador-geral, Augusto Aras, na semana que vem.

Matéria da CNN Brasil confirma a prática e mostra que, na sentença de março de 2016, pela qual Moro condenou o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o agora ex-juiz recomendou à construtora que fechasse acordos de leniência, com a adoção de compliance – conjunto de disciplinas que visam o cumprimento de normas legais para o negócio de uma empresa. Esse será o “foco” do trabalho de Moro na consultoria Alvarez & Marsal.

Irregular

À PGR, Teixeira pede a apuração de “valores e condições” envolvidos na contratação da consultoria pela Odebrecht e também da contratação de Moro pela A&M , na qual vai atuar como sócio-diretor.

O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, em documento assinado por seu presidente, o advogado Carlos Kauffmann, notificou Moro, alertando-o de que ele não pode exercer atividade privativa da advocacia para clientes da A&M. Nesse caso, ele pode ser objeto de medidas administrativas e judiciais, segundo o Consultor Jurídico.

Faturamento

A A&M, que é administradora-judicial da Odebrecht, já faturou R$ 17,6 milhões no processo de recuperação judicial da Odebrecht, segundo o portal UOL. Também investigada na operação Lava Jato, a OAS vai pagar R$ 15 milhões à consultoria, e a Queiroz Galvão também contratou a A&M para trabalhar na sua reestruturação financeira. As empresas foram praticamente destruídas pela força tarefa de Curitiba, sob comando de Sergio Moro.

“Agora a gente pode, finalmente, ter a nossa vida, exercer nossos trabalhos”, disse a esposa de Moro, Rosângela, ao site Universa, ao comentar a mudança de endereço do casal. No contrato assinado pelo ex-ministro da Justiça com a A&M está previsto que ele passe a morar em Washington.

Em 12 de julho de 2017, Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão. Segundo o então magistrado, Lula seria “dono oculto” de um apartamento no Guarujá, no litoral paulista, que teria sido reformado pela OAS em troca de favorecimento em obras do governo.

Porém, a consultoria norte-americana da qual agora Moro é sócio, foi responsável por um documento, emitido naquele mesmo ano, que atestava o chamado “tríplex de Guarujá” como patrimônio da OAS e não como propriedade de Lula. No entanto, o ex-juiz ignorou a informação.


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