5 meses de guerra

Israel boicota negociações no Cairo para cessar-fogo em Gaza

Segundo jornal israelense, boicote foi devido ao Hamas ter rejeitado exigência de entregar lista completa de reféns

Wafa
Wafa
Conforme as autoridades de Saúde de Gaza, 30 mil palestinos foram mortos. Há milhares de outros sob os escombros a que Gaza está sendo reduzida com os incessantes bombardeios

São Paulo – O governo de Israel boicotou neste domingo (3), no Cairo, as negociações de cessar-fogo em Gaza, após o Hamas rejeitar a exigência de entregar uma lista completa de reféns, segundo um jornal israelense. Uma delegação do grupo que controla a Faixa de Gaza chegou à capital do Egito para as negociações, que poderiam levar a um acordo para interromper os combates por seis semanas. Mas até o início da noite não havia sinal dos israelenses.

“Não há nenhuma delegação israelense no Cairo”, segundo a Ynet, versão online do jornal israelense Yedioth Ahronoth, citando autoridades israelenses não identificadas. “O Hamas se recusa a dar respostas claras e, portanto, não há razão para enviar a delegação israelense.”

O governo dos Estados Unidos tem insistido que o acordo de cessar-fogo está próximo e que deverá estar em vigor a tempo de interromper os combates até o início do Ramadã, em uma semana. No entanto, ambos os lados deram poucos sinais de que estão flexibilizando exigências.

Após a chegada da delegação do Hamas ao Cairo, uma autoridade palestina disse à agência Reuters que o acordo “ainda não foi fechado”. Do lado israelense, não houve nenhum comentário oficial.

EUA e o cessar-fogo próximo

No sábado (2), uma fonte informada sobre as negociações havia dito que Israel poderia ficar longe do Cairo, a menos que o Hamas apresentasse primeiro a lista completa de reféns que ainda estão vivos. Uma fonte palestina, porém, disse à Reuters que o Hamas rejeita essa exigência.

Em negociações anteriores, o Hamas procurou evitar falar sobre o bem-estar de reféns israelenses até que os termos para sua libertação fossem definidos.

Uma autoridade dos Estados Unidos disse a jornalistas no sábado que “o caminho para um cessar-fogo agora, literalmente, a esta hora, é simples”. “E há um acordo sobre a mesa. Há uma estrutura de acordo”, disse. Segundo essa fonte, Israel concordou com a estrutura e agora cabe ao Hamas dar a sua resposta.

Um acordo traria a primeira trégua prolongada da guerra, que já dura cinco meses, matou mais de 30 mil palestinos, e que teve apenas uma pausa de uma semana em novembro. Dezenas de reféns mantidos pelos militantes seriam libertados em troca de centenas de presos palestinos.

Mais de 1 milhão de palestinos espremidos em Rafah

A ajuda seria aumentada para os habitantes de Gaza, que estão famintos. Os combates cessariam a tempo de impedir um grande ataque israelense planejado contra Rafah, onde mais da metade dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza está encurralada contra a cerca da fronteira sul do território com o Egito. As forças israelenses se retirariam de algumas áreas e permitiriam que os habitantes de Gaza voltassem para o que sobrou de suas casas.

A proposta, entretanto, pelo jeito não atende à principal exigência do Hamas de um fim permanente da guerra. E deixa sem solução o destino de mais da metade dos mais de 100 reféns restantes. Isso inclui homens israelenses, já que os termos são de libertação de mulheres, crianças, idosos e feridos.

Para os mediadores egípcios, essas questões poderiam ser resolvidas em segundo momento. Já integrantes do Hamas disseram à Reuters que aguardavam ainda por “pacote de acordos”.

Ataque de Israel durante a noite

Segundo as autoridades de Gaza, menos oito pessoas foram mortas neste domingo, durante ataque israelense a um caminhão que transportava alimentos doados de uma instituição do Kuwait. Não houve nenhum comentário israelense imediato. Nesta quinta-feira (29), 118 palestinos foram mortos perto de um comboio que tentava entregar alimentos à população.

A guerra foi desencadeada em 7 de outubro, após combatentes do Hamas atacarem cidades israelenses, matando 1.200 pessoas e fazendo 253 reféns, segundo o governo de Israel. A partir de então, as forças israelenses mataram mais de 30 mil palestinos, conforme as autoridades de saúde de Gaza. Há milhares de outros mortos sob os escombros a que Gaza está sendo reduzida com os incessantes bombardeios.

De acordo com moradores de Gaza, houve bombardeio durante a noite em Khan Younis, a principal cidade do sul do território, ao norte de Rafah. Mais ao norte, onde a ajuda já não chega, as autoridades de saúde de Gaza disseram que 15 crianças já morreram de desnutrição ou desidratação dentro do hospital Kamal Adwan. Ali já não há energia para a unidade de tratamento intensivo. A equipe teme pela vida de mais seis crianças no local.

Grande aliado de Israel, os Estados Unidos usaram aviões para lançar 38 mil refeições em Gaza neste sábado. Para agências de ajuda humanitária, foi insuficiente frente ao tamanho da necessidade.

Leia também:

Itamaraty repudia ataque de Israel à fila de comida em Gaza e inação internacional: ‘Velado incentivo’

Redação: Cida de Oliveira, com informações do portal Terra


Leia também


Últimas notícias