Netanyahu isolado

EUA deve alertar Israel contra invasão em Rafah, diz o ‘New York Times’

Segundo jornal, governo Joe Biden prepara resolução para apresentar na ONU, onde já vetou três pedidos de cessar-fogo. A medida é uma resposta aos eleitores, irritados com o apoio do governo ao massacre contra os palestinos

Reprodução/You Tube
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Entre os mortos estão membros da equipe de ajuda de um chef condecorado pelo governo norte-americano

São Paulo – O crescente isolamento internacional do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com o massacre da população palestina em Gaza está forçando os Estados Unidos a reavaliar seu apoio a Israel no conflito. Tanto que, segundo o jornal The New York Times, circula no governo de Joe Biden um projeto de resolução a ser apresentado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para impedir a ofensiva terrestre em Rafah. Na localidade ao sul de Gaza, perto da fronteira com o Egito, estão abrigados mais de 1 milhão de refugiados palestinos. E ainda segundo o jornal, a resolução pediria um cessar-fogo temporário.

A medida em estudo considera a onda de condenação de Israel na Corte Internacional de Justiça da ONU, na qual dezenas de países pedem cessar-fogo imediato contra, o que alertam, um genocídio em curso. A operação militar israelense inicada em 7 de outubro, após ataques do grupo Hamas que deixou em torno de 1.200 israelenses, já matou cerca de 30 mil palestinos. A maior parte mulheres e crianças. Grande parte do território está em ruínas, com praticamente todos os hospitais destruídos e a população sem água e alimentos, segundo alertam organizações internacionais.

“É um grande problema para o governo israelense, que anteriormente foi capaz de se esconder atrás da proteção dos Estados Unidos”, disse ao jornal Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel. “Mas agora [Joe] Biden está sinalizando que Netanyahu não pode mais considerar essa proteção como garantida. Há um contexto mais amplo de condenação pela opinião pública internacional, que é sem precedentes em amplitude e profundidade, e que se espalhou para os Estados Unidos. Os progressistas do Partido Democrata, a juventude e os eleitores árabes-americanos todos ficaram irritados e criticaram duramente Biden por seu apoio a Israel”, completou.

Ainda segundo o jornal, até agora o presidente Biden não permitiu a influência da pressão internacional ou mesmo interna. Na última terça-feira (20), os Estados Unidos vetaram resolução no Conselho de Segurança da ONU apresentada pela Argélia, que exigia um cessar-fogo imediato em Gaza. Este foi a terceira vez que vetou durante a guerra entre Israel e o Hamas. Vetou inclusive resolução apresentada pelo Brasil.

EUA já vetou mais de 40 resoluções para proteger Israel

Desde que a ONU foi criada, em 1945, três anos antes de criar o estado de Israel, os Estados Unidos usaram seu poder de veto mais de 40 vezes para proteger Israel no Conselho de Segurança. Na Assembleia Geral da ONU, onde os americanos são apenas mais um voto, as resoluções contra Israel são comuns. Em dezembro, a Assembleia votou por 153 a 10, com 23 abstenções, por um cessar-fogo imediato.

“Para os israelenses, essas organizações estão contra nós”, disse ao New York Times o Michael Oren, ex-embaixador de Israel nos Estados Unidos, referindo-se à ONU, à Corte Internacional de Justiça e a outros órgãos. “O que eles fazem não nos afeta estrategicamente, taticamente ou operacionalmente.” No entanto, ele reconheceu que qualquer quebra com os Estados Unidos, seu maior fornecedor de armas, poderoso aliado político e principal defensor internacional, seriam “outros quinhentos”.

Ainda segundo o jornal, Israel tem enfrentado uma forte pressão desde o início de sua ofensiva em Gaza. Mas o coro de vozes de capitais estrangeiras se tornou ensurdecedor nos últimos dias. Em Londres, o Partido Trabalhista da oposição pediu um cessar-fogo imediato na terça-feira, mudando sua posição em relação ao Partido Conservador no governo, sob pressão de seus membros e de outros partidos de oposição.

Lula declarado persona non grata por Israel

A publicação não cita o nome do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que foi declarado persona non grata pelo governo de Benjamin Netanyahu na segunda-feira (19). O governo israelense também convocou para “reprimendas” o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer., no Museu do Holocausto.

A reação do primeiro-ministro israelense foi a um paralelo de Lula sobre o massacre ao povo palestino com o Holocausto. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler decidiu matar os judeus”, afirmou Lula em entrevista coletiva na Etiópia, no dia anterior.

Naquele mesmo domingo, a atriz e ativista estadunidense Susan Sarandon, 77 anos, ganhadora do Oscar, reproduziu em sua conta na rede X, antigo Twitter, a fala do presidente Lula. A comparação foi editada por uma marca, a Wear The Peace, que se dedica também a divulgar informações sobre os horrores em Gaza. A artista que também atua na defesa dos direitos humanos, da paz e do meio ambiente, ajudou a levar longe a fala de Lula, que “sacudiu o mundo e desencadeou um movimento de emoções que pode ajudar a resolver uma questão que a frieza dos interesses políticos foi incapaz de solucionar”, conforme o assessor especial da Presidência Celso Amorim.

Ainda no início da semana, o príncipe William, do Reino Unido, se manifestou pelo cessar-fogo em Gaza. Na terça-feira, o Partido Trabalhista, da oposição, pediu um cessar-fogo imediato. Ontem (22), o chanceler britânico, David Cameron, também defendeu o cessar-fogo durante evento de ministros de Relações Exteriores do G20, no Rio de Janeiro.

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Redação: Cida de Oliveira


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