Julgamento

Daniel Alves alega que relação não foi forçada, enquanto vítima reafirma agressão sexual

Para a acusação, nada indica que houve consentimento. MP pede nove anos de prisão. Ex-jogador disse que bebeu muito na noite que terminou com acusação de estupro

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Local do julgamento de Daniel Alves, em Barcelona: não há previsão para a sentença

São Paulo – No último de três dias de julgamento, nesta quarta-feira (7), o ex-jogador Daniel Alves afirmou que havia bebido muito e que a jovem com quem esteve “não me disse que não queria praticar sexo”. O atleta de 40 anos – que passou por times como Barcelona, Paris Saint-Germain, Juventus e São Paulo, além da seleção brasileira – é réu por estupro. Ele foi acusado por uma jovem espanhola, que teria sofrido violência sexual em uma boate de Barcelona, em 30 de dezembro de 2022. O Ministério Público pede pena de nove anos de prisão, enquanto a defesa da vítima pede 12 – pena máxima.

Cercado por grande atenção da mídia, o caso está sendo discutido na 21ª Seção da Audiência Provincial de Barcelona, do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha. Não há previsão de quando sairá a sentença.

No primeiro dia, os magistrados ouviram a vítima. Ela reafirmou a agressão em um banheiro da ala vip da boate Sutton. No segundo dia, 24 testemunhas se apresentaram, e hoje foi a vez do ex-jogador, além de peritos e das advogadas das partes – Isabela Guardiola (defesa) e Ester García (vítima). A defesa do ex-jogador pediu, e a Justiça consentiu, que ele fosse o último a falar.

“Não sou um homem violento”

De acordo com relatos do jornal de esportes espanhol Marca, Daniel Alves afirmou que não é um homem violento e que não forçou a denunciante a acompanhá-lo ao banheiro. “Ela me disse que sim para ir, não tive que insistir. (…) E quando abri a porta praticamente dei de cara com ela.”

O ex-jogador, que chorou algumas vezes, disse que mentiu na primeira versão, ao afirmar que não teve contato com a mulher do caso, porque não queria que a esposa soubesse. Ele declarou ainda que soube da acusação pela imprensa. Disse que está “praticamente arruinado” porque teve a contas bloqueadas no Brasil e perdeu todos contratos.

Daniel Alves está nesta penitenciária, a 40 quilômetros de Barcelona, onde aguardará a sentença (Foto: reprodução)

Embriaguez é argumento

Depois da sessão, o ex-atleta voltará para a penitenciária Brians 2, no município de Sant Esteve Sesrovires, a 40 quilômetros de Barcelona. Ele está no módulo 13, reservado a casos de crimes sexuais.

A expectativa em relação ao depoimento era justamente de que Daniel Alves sustentasse que as relações sexuais foram consensuais e que ele estava bêbado. Sua defesa reforçou esse último item, assim como a mulher do ex-jogador, Joana Sanz, que prestou depoimento ontem. Pelo Código Penal da Espanha, a embriaguez, em algumas circunstâncias, pode ser considerada atenuante.

Para o Ministério Público, porém, nada indica que houve consentimento. A acusação considerou verossímil o depoimento da vítima e lembrou que ela sempre manteve o relato, ao contrário de Daniel Alves, que mudou algumas vezes sua versão sobre o que aconteceu.

“Por que (Dani Alves e a vítima) não se despedem? Por que ela vai embora chorando?”, questionou a promotoria. Segundo a acusação, as imagens mostram “comportamento normal” do ex-jogador, apesar da alegação de embriaguez, ao cumprimentar os porteiros e caminhar até a ala VIP. “Tinha total controle do que estava fazendo.”


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