Que educação?

Justiça manda Tarcísio suspender material didático de escolas em 48 horas

Responsável pela educação em São Paulo, Renato Feder é empresário da Multilaser, empresa que fechou pelo menos três contratos com o governo Tarcísio enquanto ele já era secretário

Fernando Nascimento/GovernoSP
Fernando Nascimento/GovernoSP
Feder foi secretário de Educação no Paraná, com o bolsonarista Ratinho Jr., e se mudou para SP em janeiro

São Paulo – A juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti determinou, em decisão liminar, a suspensão de material didático digital usado pela Secretaria de Educação do governo paulista de Tarcísio de Freitas e seu secretário Renato Feder, no prazo de até 48 horas. Slides usados para “ensinar” alunos da rede estadual paulista trazem conteúdos com graves erros de informação e de português em todas as disciplinas.

A decisão atende a pedido em ação popular ajuizada pela deputada estadual Professora Bebel (PT). O material deve ser retirado do ar “até que sejam corretamente revisados, e sigam os padrões estabelecidos pelo Ministério da Educação”, diz a decisão liminar da juíza, que prevê multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão.

“É possível constatar que no material digital existem erros de conteúdo, que merecem ser corrigidos pelo órgão responsável, sob pena de comprometer a qualidade da educação no Estado e prejudicar o processo de aprendizado dos alunos”, diz a juíza da 9.ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo na decisão.

A correção deve ser feita pelo governo de Tarcísio de Freitas de maneira a seguir diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação e seguir e estar de acordo com grades curriculares.

Confira alguns dos erros encontrados no material:

  • Um dos erros mais bizarros está em material de História para alunos do 9º ano. O material usado por professores diz que, quando era prefeito de São Paulo, Jânio Quadros “emitiu um decreto” para proibir o uso de biquínis “nas praias da cidade”. A cidade de São Paulo não tem praias. Em segundo lugar, a proibição foi quando Jânio Quadros era presidente do país, e não prefeito, e o decreto valia em todo o território nacional.
  • Em outro erro, este em slide de História para o 8º ano do fundamental, dom Pedro 2º assinou a Lei Áurea em 1888 para a abolição da escravidão. A medida, na verdade, foi assinada pela princesa Isabel, segundo documentos da época.
  • Na aula 5 de Ciências para o 7º ano do ensino fundamental, no assunto “doenças de veiculação hídrica”, um slide afirma que a água contaminada por mercúrio, agrotóxicos e outros agentes pode transmitir Parkinson, Alzheimer e depressão. A informação é absurda.
  • Em matemática, em “aula” para o 6° ano do ensino fundamental, um erro em conta elementar mostra que 36 dividido por 9 é igual a 6. Como todo mundo sabe, 36 dividido por 9 é igual a 4.
  • Em Português, um texto de slide diz que “o pedaço de carne caíram (sic) na água”.

Educação de bolsonarista

A Secretaria da Educação com Tarcísio de Freitas vem fomentando polêmicas com a educação típicas do bolsonarismo. Como na época do ex-presidente, são tão acintosas que soam como provocação. Na retomada das aulas para o segundo semestre, a pasta de Feder anunciou que não usaria mais o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) nas escolas, mas passaria a adotar material didático “100% digital”, com os tais slides produzidos pela própria secretaria.

Renato Feder foi secretário de Educação no governo do bolsonarista Ratinho Jr. no Paraná, e se mudou para São Paulo em janeiro. Ele é empresário justamente da área da tecnologia e detém 28,16% das ações da Multilaser. A empresa fechou pelo menos três contratos com o governo paulista enquanto já ocupava o cargo, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. Ou seja, é fornecedor para a própria pasta que comanda no governo do estado.

Ameaçado a responder por improbidade administrativa ao vetar os livros didáticos sem custo do governo federal, e também por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que suspendeu a nova “política” educacional, Tarcísio recuou.

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