Privatização nefasta

Tirar capacidade de atuação da Caixa é dar tiro no pé, avisa presidente da Fenae

Jair Ferreira, da federação de funcionários, critica enfraquecimento do banco público presente em todos os municípios do Brasil; dia 12 Caixa completa 159 anos e sindicatos promoverão atos para defendê-la

Sind. Bancários SP
"Tirar a Caixa da jogada é dar tiro no pé para 70% dos brasileiros que carecem, precisam e têm o direito a esse instrumento de financiamento, criação de renda e emprego que é o que o Brasil precisa", avisa Jair Ferreira, da Fenae

São Paulo – Com a atuação do banco de investimento norte-americano Morgan Stanley, o governo Jair Bolsonaro trabalha para dar início ao processo de privatização da Caixa Econômica Federal a partir do setor de seguros, a Caixa Seguridade.

“É a linha do governo de vender tudo que pode”, afirma o presidente da federação de funcionários do banco público (Fenae), Jair Ferreira. “Para nós, funcionários da Caixa, é preocupante. Embora estejam vendendo o braço de seguros, o próprio presidente da Caixa tem dito que vai vender tudo que puder”, critica o dirigente, inclusive a loteria, a parte de cartões, que são rentáveis, informa, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual.

“Para nós, trabalhadores, e sociedade em geral é muito preocupante. Hoje temos uma empresa com 4 mil agências, 82 mil empregados. Quando começa a despedaçar, por mais que preserve a empresa Caixa, está diminuindo o tamanho dela. Como é que vamos atender às grandes demandas?”, questiona. “Então, esse início de venda é um sinal de que pode acabar a empresa se não reagirmos. As pessoas estão amedrontadas e cabe a nós ver como enfrentar e reverter isso.”

O processo de desinvestimento das empresas públicas vem desde o governo Michel Temer. “No caso da Caixa, isso se acelerou em 2019 porque não conseguiram fazer as mudanças que queriam lá atrás, como transformar a Caixa em S/A. A gente resistiu bastante”, conta o presidente da Fenae.

Em 2019, o governo Bolsanaro já vendeu ativos da Caixa e ações, num total de R$ 15 bilhões. “Isso significa tirar a capacidade do banco de fazer novos empréstimos”, denuncia Jair Ferreira, lembrando que no dia 12 de janeiro a Caixa vai fazer 159 anos. “Ela não é um banco que nasceu e já vai acabar. Tem uma história longa, um papel importante, está entre o segundo e terceiro maior banco do Brasil”, reforça.

Caixa para quem precisa

“Começar a desmontar uma empresa desse tamanho, construída passo a passo pelos seus trabalhadores e pela sociedade, que são os verdadeiros acionistas da Caixa, é preocupante”, diz o presidente da Fenae, destacando que a Caixa está presente em todos os municípios do pais. “Então atende a população nos locais onde os bancos privados não irão. Eles vão se concentrar onde tem dinheiro. Como estamos num país muito desigual, onde estão brasileiros que precisam de proteção e precisam ter oportunidades. Isso é papel dos bancos públicos.”

Jair Ferreira dá como exemplo o financiamento para o programa Minha Casa Minha Vida: 90% é feito pelo Caixa. “Quem tem dinheiro vai ter alternativas. Mas e quem ganha mil reais, dois mil reais, quem vai fazer esse financiamento? A Caixa”, crava o presidente da Fenae. “Tirar a Caixa da jogada é dar tiro no pé para 70% dos brasileiros que carecem, precisam e têm o direito a esse instrumento de financiamento, criação de renda e emprego que é o que o Brasil precisa.”

No aniversário do banco, dia 12, o movimento sindical e outras entidades representativas dos funcionários da Caixa, promoverão uma série de atos para mobilizar a sociedade. “Precisamos criar emprego. Temos uma quantidade de gente muito grande desempregada. Somos um país de 210 milhões de habitantes. Não podemos ter pessoas passando fome, necessidade”, diz o dirigente. “E quem vai fazer essa engrenagem virar? Sem a presença dos bancos públicos dificulta muito sair da crise. A Caixa tem um papel importante nisso e vamos brigar bastante para que não saia desse papel. Queremos convencer o governo, o ministro da Fazenda, de que estão dando tiro no pé. Vai empobrecer o país, no lugar de melhorar a vida das pessoas, vai piorar. Essa será nossa linha de atuação.”

Confira a íntegra da entrevista à Rádio Brasil Atual

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