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Metalúrgicos brasileiros criticam tarifação de aço e alumínio pelos EUA

Medida provocará desemprego e problemas nas relações comerciais entre os dois países, dizem sindicalistas, que pedem "posição firme" do governo
por Redação RBA publicado 08/03/2018 13h29
Medida provocará desemprego e problemas nas relações comerciais entre os dois países, dizem sindicalistas, que pedem "posição firme" do governo
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Sindicalistas do setor ligados a diversas centrais apontam contradição norte-americana: liberalismo com protecionismo

São Paulo – O anúncio feito na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor taxas de importação ao aço (25%) e ao alumínio (10%), causou reações em todo o mundo – e também provocou críticas dos metalúrgicos brasileiros. Dirigentes da categoria ligados a diversas centrais aprovaram documento lamentando a decisão, alertando para consequências como desemprego e pedindo uma posição "firme do governo". 

"Espanta o fato de que os Estados Unidos, que defendem o liberalismo econômico e a liberdade de comércio entre as nações, tomem medidas claramente protecionistas e totalmente contrárias ao contexto de globalização dos mercados enfaticamente por eles defendida em todos os fóruns internacionais", afirmam os metalúrgicos (leia a íntegra do documento abaixo) ligados a CSB, CSP-Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical e UGT.

Segundo eles, "a taxação excessiva sobre o aço e o alumínio brasileiros irá dificultar nossa exportação, gerar desemprego neste setor e problemas desnecessários nas relações comerciais entre os dois países". 

O governo norte-americano ainda não formalizou a medida. Nesta quinta-feira (8), Trump se reúne com empresários dos dois setores.

A próxima reunião do Movimento Brasil Metalúrgico, que reúne diversas entidades, está marcada para o dia 20, na sede do sindicato de São Paulo.

Confira a íntegra da nota:

Em defesa da produção e do emprego na indústria siderúrgica brasileira

É lamentável o anúncio feito pelo governo norte-americano de elevar a tarifa de importação de aço em 25% e do alumínio em 10%. O Brasil, além de ser grande exportador destes produtos para os Estados Unidos, é historicamente,um importante parceiro e aliado comercial deste país.

Espanta o fato de que os Estados Unidos, que defendem o liberalismo econômico e a liberdade de comércio entre as nações, tomem medidas claramente protecionistas e totalmente contrárias ao contexto de globalização dos mercados enfaticamente por eles defendida em todos os fóruns internacionais.

Entre 2009 e 2016, o Brasil apresentou saldo negativo em suas transações comerciais com os Estados Unidos. Neste período, o déficit acumulado foi de US$ 48,3 bilhões, o maior já registrado na história do comércio exterior brasileiro em um período de oito anos com um único país. Nem por isto o Brasil aventou a possibilidade de sobretaxar produtos norte-americanos ou criar-lhes qualquer tipo de barreiras de importação.

A razão alegada para sobretaxar o aço e o alumínio é a de que a importação destes produtos põe em risco a segurança nacional norte-americana, argumento totalmente infundado, pois o aço vendido aos Estados Unidos é semiacabado e complementar ao seu processo produtivo, não criando nenhum constrangimento ou dependência para sua indústria bélica ou aeroespacial.

Os dirigentes das entidades sindicais que integram o movimento Brasil Metalúrgico,abaixo-assinados, veem com muita preocupação o anúncio feito pelo presidente Donald Trump, pois a taxação excessiva sobre o aço e o alumínio brasileiros irá dificultar nossa exportação, gerar desemprego neste setor e problemas desnecessários nas relações comerciais entre os dois países.

Aguardamos atentamente que o governo Temer assuma posição firme em defesa da produção e do emprego no setor siderúrgico brasileiro e adote, se necessário, medidas cabíveis no âmbito dos fóruns comerciais internacionais, entre elas, a Organização Mundial do Comércio, contrárias a esta decisão unilateral do governo norte-americano.

As entidades abaixo-assinadas solicitam audiência com o ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho, da Indústria e Comércio Exterior, para que possam manifestar sua preocupação e reivindicações e também apoio às ações complementares para a preservação dos interesses nacionais.

Miguel Torres
Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos – CNTM/Força Sindical

Paulo Cayres
Confederação Nacional dos Metalúrgicos – CNM/CUT

Luiz Carlos Prates – Mancha
CSP/Conlutas

Marcelino da Rocha
FitMetal (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil)

Delson José de Oliveira
UGT – Minas Gerais

José Avelino – Chinelo
CSB