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Bancos crescem, mas cortam 9,9 mil empregos, aponta estudo

por Redação da RBA publicado 19/02/2010 18h18, última modificação 19/02/2010 18h28

O lucro líquido dos três maiores bancos privados que operam no Brasil cresceu, em média, 9,49%, em 2009, atingindo o patamar de R$ 24 bilhões. No mesmo período, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander cortaram 9.902 postos de trabalho, aponta estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

Segundo o estudo, o Santander lucrou, em 2009, 40,8% mais do que em 2008. Itaú Unibanco obteve 29% de aumento nos resultados e o Bradesco, 5,1%. Em valores absolutos, o Itaú fechou o ano com o maior lucro líquido de todos, na casa dos R$ 10 bilhões.

As empresas também registraram aumento no número de agências e de clientes, contudo o número de trabalhadores caiu. Só o Itaú Unibanco cortou 6,59% de seu quadro funcional, com a demissão de 7.176 funcionários em 2009. O Bradesco eliminou 1.652 vagas, 3% dos postos de trabalho, enquanto agências do Santander demitiram 1.074 funcionários, 1,2% dos trabalhadores.

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, critica a atuação dos bancos privados e aponta diferenças na gestão de instituições financeiras públicas e privadas. "Os grandes bancos privados estão andando na contramão da economia brasileira. No ano passado, apesar do reflexo da crise nos primeiros meses, o Brasil criou 955 mil novos empregos", argumenta.

"A política de corte de empregos dos bancos privados destoa dos bancos públicos, que estão contratando trabalhadores para fazer frente à expansão de suas atividades no mercado financeiro", dispara o dirigente sindical.

Segundo Cordeiro, o corte de milhares de vagas também impacta os trabalhadores que permanecem nas empresas.  "Com a redução do número de vagas e a expansão do número de agências e da base de clientes, significa que aumentará a carga de trabalho de cada bancário, que já é brutal, com impactos negativos na saúde dos trabalhadores”, condena o sindicalista.

A pesquisa aponta ainda que a redução no número de trabalhadores está provocando a redução da média salarial. Os desligados de janeiro a setembro de 2009 recebiam remuneração de R$ 3.494,25. Já os contratados têm salários de R$ 2.051,80, em média, o que representa uma diferença de 41,28% – quase a metade, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.