Cultura popular

A viola brasileira em exposição, doc, vídeos e muitas mãos

Projeto “Viola Avançada” e exposição “Nos Braços do Violeiro” mostram possibilidades de um instrumento brasileiro por excelência

Mário de Almeida/Divulgação
Mário de Almeida/Divulgação

São Paulo – Dois eventos nos próximos dias, em São Paulo, colocam em evidência a viola, instrumento brasileiro por excelência, mas com muitas sonoridades. As atividades incluem exposição, HQ, minidocumentário, vídeos e muita gente tocando. Até não violeiros.

Na próxima terça-feira (20), por exemplo, será lançado o projeto – musical e audiovisual – Viola Avançada. Segundo os organizadores, a ideia é “criar novos sons a partir do recorte de violas brasileiras em vários fragmentos, reagrupados de maneira diferente. Assim, o projeto busca novas perspectivas para o instrumento “símbolo da cultura popular brasileira”.

Scandurra na viola

O projeto foi idealizado pelo músico e produtor Dino Vicente. Inclui pesquisa sonora, curta-documentário dirigido por Mário de Almeida, EP “conceitual”, disponível nas plataformas, cinco vídeos experimentais e o plugin “Adeus Viola”. Trata-se de aplicativo desenvolvido pelo pesquisador, tecnólogo e físico Paulo Itaboraí para manipulações sonoras.

O lançamento será realizado a partir das 14h no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. É preciso se inscrever gratuitamente. O endereço é https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/musica-e-audiovisual-viola-avancada . As vagas são limitadas. No lançamento, além de Dino, Mário e Paulo, estará presente o músico Ricardo Vignini, fundador da banda Matuto Moderno, que mistura rock e música caipira. Ele também integra o duo Moda de Rock, com o violeiro Zé Helder.

Possibilidades sonoras

Participam dos projetos músicos de diversas formações. Além do já citado Ricardo Vignini, aparece o guitarrista Edgard Scandurra, do grupo Ira!, que toca viola pela primeira vez. E também o violeiro e arranjador Toninho da Viola (lendário tocador de Cururu, de Piracicaba), o produtor e arte-educador Fábio Miranda e a cantora e instrumentista Kátya Teixeira, pesquisadora da cultura popular.

“Nossa proposta foi descobrir novas possibilidades sonoras para as violas brasileiras, a partir do encontro da mesma com a música eletrônica experimental, desconstruindo esse tradicional instrumento”, conta Dino Vicente. “Podemos usar como imagem a ideia de picotar, recortar uma viola brasileira em milhões de pedacinhos até se tornarem grãos e reorganizá-los de outras formas. E daí surge o questionamento: que tipo de música seria possível obter com esse novo instrumento virtual?”  

Nos Braços do Violeiro

O outro projeto é a exposição Nos Braços do Violeiro, que começa no próximo sábado (24), às 16h, na Casa Lebre, em Bragança Paulista, a 80 quilômetros da capital. O evento deverá percorrer seis cidades do estado, até outubro. Pela ordem, São José dos Campos, Botucatu, Pardinho, São Luiz do Paraitinga e Campinas.

HQ de Yuri Garfunkel dá vida a exposição que vai percorrer o interior paulista até outubro (Foto: reprodução)

Com curadoria de João Carlos Villela, a mostra é sobre o romance gráfico A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos, inspirado em mais de 80 obras desse cancioneiro. Tem roteiro e arte visual do desenhista, músico e educador Yuri Garfunkel. Ambos estarão presentes no lançamento. Além, é claro, de violeiros.

Modas de viola

De família musical, Yuri conta que a ideia da HQ foi tomando corpo após anos ouvindo música caipira. Segundo ele, especialmente as modas de viola descrevem narrativas tão intensas a ponto de inspirar filmes. “Mas até agora não conheço outra graphic novel feita a partir desse repertório. Entendi que era um trabalho que poucos poderiam pôr em prática, e mergulhei de cabeça. No final de 2017, eu já tinha clara a estrutura do roteiro, fui a uma palestra do Ivan Vilela (compositor, pesquisador e professor) e me apresentei a ele, que se interessou imediatamente pelo projeto e começamos a trabalhar.”

A confecção de HQ foi “completamente artesanal”, observa João Carlos. Ele lembra que Yuri, antes de começar a desenhar, encomendou a um luthier uma viola vermelha (a “viola encarnada”), inspirada em Tião Carreiro, que fez época ao formar dupla ao lado de Pardinho. Em dezembro, por sinal, foi inaugurado um museu em homenagem ao violeiro, justamente na cidade de Pardinho, na região de Botucatu – a exposição será montada exatamente nesse local. Cada página, muitas delas emolduras para o evento, é inspirada em uma música.

Linguagens e origens

“Essa exposição junta três linguagens, três temáticas: HQ, artes plásticas e música caipira”, lembra o curador. A história começa justamente a partir da confecção da viola pelo luthier e mostra as origens do instrumento, com suas raízes portuguesas, mas que se tornou genuinamente brasileiro.

Na abertura, também está garantida a roda de viola, com artistas locais e participação do próprio Yuri, que forma dupla com Lula. Além deles, quem for à Casa Lebre poderá ouvir o mestre Ivan Vilela. Os organizadores pretendem realizar bate-papos e rodas de viola em todas as cidades.

O trabalho de Yuri foi premiado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) 2019 e indicado ao prêmio HQ MIX na categoria Melhor Adaptação no ano seguinte. Já o projeto Viola Avançada tem produção do ProAC Direto, com a Maravilha Filmes e a Maracujá Cultura, e foi realizado por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

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