Saidinha?

Robinho acredita que será solto em breve. Realidade aponta outra direção

Ex-jogador já teve habeas corpus negado, e não atende a requisitos de livramento condicional. Bolsonarista, sequer pode contar com a saidinha

van Storti/Santos/Divulgação
van Storti/Santos/Divulgação
Robinho nunca escondeu ser apoiador do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL). Os parlamentares ligados ao político radical aprovaram neste mês o fim das chamadas saidinhas

São Paulo – O ex-jogador de futebol Robinho, detido na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, desde a última sexta-feira (22), demonstra “estado de espírito tranquilo e otimista”. Ele acredita em sua libertação em conversas com funcionários da prisão. De acordo com relatos de agentes penitenciários ao jornal Folha de S. Paulo, Robinho, em meio a sorrisos, expressa convicção de que obterá decisão favorável nos próximos dias.

Segundo os relatos, o ex-jogador condenado por estupro está confiante de que deixará a prisão nesta semana. De acordo com as informações, ele brincou sobre sua expectativa de poder desfrutar de um ovo de Páscoa em casa. No entanto, os agentes destacam que o período de isolamento de Robinho, em uma cela de 8 m², está previsto para durar apenas dez dias. Durante esse período, ele não pode receber visitas de familiares, apenas de seus defensores. Mas depois disso, o cenário piora.

Embora Robinho esteja demonstrando um otimismo em relação à sua libertação iminente, os agentes penitenciários alertam que ele pode enfrentar dificuldades. Isso porque ele deverá ser integrado aos outros presos após o período de isolamento. Conforme mencionado pelos servidores da penitenciária, o ex-jogador pode se deparar com a realidade de conviver em uma cela com, no mínimo, outras quatro pessoas. Então, esse pode ser um choque após a expectativa de saída da prisão.

Robinho de saidinha?

Robinho nunca escondeu ser apoiador do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL). Os parlamentares ligados ao político radical aprovaram neste mês o fim das chamadas saidinhas de presídios. A medida ainda vai passar pela apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se estivesse em vigor também não seria uma possibilidade para a saída de Robinho. Ele não poderia ser beneficiado pela saída temporária em nenhuma hipótese. Isso porque a medida não vale para condenados por crime hediondo, como estupro.

Outra opção do bolsonarista seria o livramento condicional. Contudo, ele não atende aos requisitos, como o cumprimento de um terço da pena. Sua condenação é de nove anos de reclusão. Uma outra saída, um habeas corpus, já conta com negativa do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conhecido por sua passagem pelo Santos e seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010, ele foi preso após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal, com nove votos a favor e dois contra, validou a sentença da Justiça italiana, que condenou o ex-atleta a nove anos de prisão pelo crime de estupro coletivo. A adaptação da pena ao sistema jurídico brasileiro encontra base na extraterritorialidade, presente de forma clara no artigo 7 do Código Penal.

O caso do estupro ocorreu em 2013, em uma boate de Milão, envolvendo uma jovem albanesa. A condenação em primeira instância foi proferida em 2017. Desde então o ex-jogador tem enfrentado um processo judicial tanto no Brasil como no exterior.



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