Justiçamento

Massacre da PM no Guarujá pode chegar a 19 mortos, diz Ouvidoria

Moradores denunciam que novas incursões da PM em favelas da cidade teriam resultado na morte de outras nove pessoas entre ontem e hoje

Josué Emidio/GOVSP
Josué Emidio/GOVSP
Bolsonarista Tarcísio disse que está "extremamente satisfeito" com operação que desde sexta-feira (28) deixou 16 mortos

São Paulo – A Ouvidoria das Polícias de São Paulo apura denúncias de mais nove mortes em operação da PM montada em Guarujá, cidade da Baixada Santista, iniciada na última sexta (28). Com isso, o total de mortes chegaria a 19. O órgão apurava dez casos até a tarde de domingo. Mas novas incursões da Polícia Militar (PM) ocorreram nas favelas da cidade entre a tarde e a noite de domingo e ao longo desta segunda.

Além da Ouvidoria, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) também recebeu relatos dessas mortes de moradores e familiares das vítimas. Agora, ambos os órgãos trabalham para confirmar os óbitos.

Em entrevista ao portal Uol, o ouvidor das Polícias de São Paulo, Claudinho Aparecido, contou alguns relatos de moradores que teriam sofrido tortura em meio à operação da PM. Os policiais desencadearam a operação no litoral para vingar o assassinato do soldado da Rota Patrick Bastos Reis. 

“Recebemos uma série de relatos de moradores e de lideranças sociais. O parente de uma das vítimas contou que os policiais disseram que morreriam 60 pessoas. Também recebemos a informação de que as casas estão sendo invadidas por policiais encapuzados, oferecendo uma série de aterrorizamentos (sic). Até adolescentes e crianças estão sendo abordados de forma bastante agressiva”, disse Claudinho.

Silvio Almeida: “É preciso um limite”

Mais cedo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que estava “extremamente satisfeito com a ação da polícia”, quando a Ouvidoria computava uma dezena de vítimas fatais naquele momento. Por outro lado, disse estar triste “porque nada vai trazer de volta o pai de família”, lamentando apenas a morte do soldado. Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) contesta os números, reconhecendo apenas oito mortes na operação.

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, se manifestou sobre a operação. Em nota, destacou que as denúncias acerca do ocorrido “são graves” e que merecem ser apuradas. Além disso, afirmou que órgãos ligados ao ministério atuam junto a outras autoridades para analisar os fatos com rigor. 

“Foi cometido um crime bárbaro contra um trabalhador que precisa ser apurado, mas nós não podemos usar isso como uma forma de agredir e violar os direitos humanos de outras pessoas”, disse o ministro. “É preciso um limite para as coisas. Então eu acho que o limite para isso é o respeito aos direitos humanos, seja para os agentes da segurança pública, seja para a população dos territórios onde a polícia atua”, acrescentou.


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