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‘Estou extremamente satisfeito com a ação da polícia’, diz Tarcísio sobre ação que matou pelo menos 10 no Guarujá

Governador enalteceu ação violenta. Para o deputado estadual Eduardo Suplicy, “é gravíssimo” o que ocorreu no litoral paulista. “Uma operação policial não pode se vangloriar em contar corpos. A polícia não pode trocar justiça por vingança”

Agência Alesp
Agência Alesp
Tarcísio de Freitas elogiou a ação violenta de agentes da polícia em operação após morte de policial

São Paulo – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta segunda-feira (31) em entrevista coletiva estar “extremamente satisfeito com a ação da polícia”, sobre ação que deixou 10 mortos no litoral paulista neste final de semana. E “triste porque nada vai trazer de volta o pai de família”, referindo-se ao policial da Rota morto.

Neste fim de semana, segundo a Ouvidoria da Polícia, ao menos oito pessoas foram mortas em operação da PM montada em Guarujá, cidade da Baixada Santista, na última sexta (28), após o assassinato do soldado da Rota Patrick Bastos Reis. Ele foi morto na noite de quinta (27), enquanto patrulhava uma área próxima à comunidade da Vila Zilda.

O número de mortos, porém, foi contestado pelo governador. Ele afirmou hoje que oito pessoas morreram ao longo do fim de semana. E que outras 10 foram presas.

“É gravíssimo o que ocorreu no Guarujá. Uma operação policial não pode se vangloriar em contar corpos. A polícia não pode trocar justiça por vingança. Ontem recebi relatos sobre laudos de óbito que apontam sinais de tortura. Estarei atento às investigações”, disse hoje o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT).

Testemunhas relatam gritos de morador torturado e morto

Segundo relatos de moradores, o primeiro morto na operação teria sido o vendedor ambulante Felipe Vieira Nunes, de 30 anos, com nove tiros. Ele teria sido encontrado pela sua família com um corte no braço, queimaduras de cigarro e um ferimento na cabeça. Testemunhas disseram ter ouvido gritos durante a prática de tortura. E que Nunes gritava pedindo para não morrer. Em seguida, o corpo do vendedor foi jogado no porta-malas de uma viatura da PM, segundo testemunhas.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Nunes teria dito à família que sairia de casa. Isso porque circulava um aviso de que a polícia faria uma varredura na comunidade e que pelo menos 60 pessoas com passagem pela polícia ou com tatuagem seriam mortos. O vendedor já havia sido detido por roubo, mas havia deixado a criminalidade, segundo testemunhas.

Um dos suspeitos da morte do policial, Erickson David da Silva, 28 anos, foi preso ontem (30). Levado a um pronto-socorro na região, não resistiu. Outro policial foi baleado na mão esquerda e encaminhado a um hospital.

Em entrevista à GloboNews no domingo, o ouvidor Claudio Aparecido da Silva disse que estão sendo investigadas outras duas mortes. E que a Ouvidoria pedirá as imagens das câmeras dos uniformes dos policiais envolvidos para averiguar se houve alguma ação ilegal por parte dos agentes.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) negou que tenha havio abuso policial. E afirmou que todas as denúncias serão investigadas. A Operação Escudo deve durar um mês. Policiais dos 15 batalhões de operações especiais do Estado estão envolvidas, o que totaliza 3 mil agentes e pelotões de Choque e do efetivo local.

Redação: Cida de Oliveira


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