Voz das ruas

Grito dos Excluídos em São Paulo terá ato contra a proposta de privatização da Sabesp de Tarcísio

Rejeitada pelos paulistas, a proposta do governador de privatização da Sabesp, entre outras empresas públicas, é alvo de protesto no tradicional Grito dos Excluídos em São Paulo, que ocorre neste 7 de setembro na Praça Oswaldo Cruz, na Paulista, a partir das 9h

CTB/Divulgação
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Proposta de privatizaçãp da Sabesp é rejeitada pela maioria dos moradores do estado, ao menos 53%, conforme pesquisa Datafolha divulgada em abril

São Paulo – A 29ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, nesta quinta-feira (7), erguerá sua voz em São Paulo contra a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A medida é rejeitada pela maioria dos moradores do estado, ao menos 53%, conforme pesquisa Datafolha divulgada em abril. No entanto, a transferência da empresa a grupos privados é uma das principais promessas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já gastou milhões de reais em supostos “estudos” para viabilizar a entrega desse setor essencial.

Para marcar uma contraposição à privatização, diferentes segmentos da sociedade civil vão marchar no Dia da Independência, a partir das 9h, da Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, até o Parque do Ibirapuera. Ao longo do grito, os manifestantes também protestam contra venda de outras empresas públicas. Entre elas, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

“É hora de reafirmamos que somos contra esse capitalismo perverso que tanto destrói o meio ambiente com crimes ambientais irreparáveis. Nossas pautas e bandeiras estarão estampadas nas ruas em mais um dia de luta por justiça social. Somos contra também as privatizações de empresas públicas de serviços essenciais como a Sabesp, Metrô e CPTM. Gritaremos por um país mais justo, fraterno e solidário”, reforçou o advogado Benedito Roberto Barbosa, mais conhecido como Dito, coordenador da Central dos Movimentos Populares (CMP).

Denúncias da privatização

A venda da estatal responsável pelo tratamento de esgoto e fornecimento de água potável está no radar desde a campanha de Tarcísio. Nesta terça (5), o governador começou uma maratona de reuniões com 26 prefeitos da região metropolitana da Capital, do Alto Tietê e do entorno de Bragança Paulista para tentar garantir apoio à sua proposta. A decisão de desestatizar a Sabesp deverá, no entanto, passar pelo crivo da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A expectativa de Tarcísio é que o aval ocorra, no mais tardar, até o começo de 2024.

A pressa do governador, porém, vai na contramão de tendência mundial, que está reestatizando os serviços integrados de água. Ontem, durante lançamento de plebiscito popular contra os projetos de desestatizações, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema), José Antonio Faggian, observou que a Sabesp é uma empresa que dá lucro e atualmente presta um serviço de “excelência”.

De acordo com Faggian, a privatização coloca em risco a tarifa social que atende a 4.600 famílias em todo o estado. Além disso, também põe em xeque a política de subsídio cruzado. A medida permite financiar obras de saneamento em municípios mais pobres com os lucros obtidos nas cidades mais desenvolvidas.

Gritos dos Excluídos pelo Brasil

Além de São Paulo, a 29ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas terá atos nas ruas de outros 26 estados. Com o tema “Você tem fome e sede de quê?”, as manifestações denunciarão as diversas faces da fome e da sede, da literal à simbólica. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2022, 70,3 milhões de pessoas estiveram em estado de insegurança alimentar moderada. Ou seja, toda essa imensa parcela da população brasileira tem dificuldade para se alimentar. O levantamento também mostra que 21,1 milhões de pessoas no país passaram por insegurança alimentar grave. Em outras palavras, passam fome.

O Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) também calcula que pelo menos 35 milhões de brasileiros seguem excluídos ao acesso regular de abastecimento de água. “O grito é essa oportunidade para refletirmos e para dizer que queremos caminhar juntos e juntas com vida e dignidade. Alimentar a esperança de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa e mais fraterna. E esse mundo será concretizado, na medida em que as organizações, juntamente com aqueles e aquelas que têm seus direitos negados, possam ser sujeitos dessa sociedade”, disse nesta segunda-feira (4) o bispo de Brejo (MA) dom José Valdecei Santos Mendes, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Luta por reconhecimento

Nas ruas quase 30 anos, o Grito dos Excluídos dialoga com o tema da Campanha da Fraternidade, da CNBB. Este ano a iniciativa tem o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Por meio dela as comunidades debatem o problema, propondo ações em busca de alternativas para o enfrentamento da situação. Para a CNBB, a solução da dificuldade de acesso aos alimentos e à água requer maior participação popular

Em sua reflexão para a garantia dos direitos, Dom José Valdeci defendeu o respeito à Mãe Terra e o direito dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas aos seus territórios. E também o acesso à terra, com produção agroecológica para alimentos mais saudáveis e a soberania alimentar. Além de oportunidades de trabalho no campo e na cidade.

“Para haver uma sociedade justa, é preciso lutar para que, de fato, ocorra uma transformação e ela deve se concretizar em políticas públicas, deve se realizar em uma boa educação, em saúde para todos e todas, em territórios livres. Agora mesmo estamos enfrentando o desafio do marco temporal, que é um absurdo. Precisamos dizer que nossos irmãos, os povos indígenas, têm todo o direito ao território, como as comunidades quilombolas, os pescadores e pescadoras, os geraizeiros, as quebradeiras de coco. Nesse sentido, é importante que continuemos lutando ao lado daqueles que são excluídos”, reiterou.

Confira a programação nas principais cidades:

São Paulo – 7/9 – 8h00 – Café com as irmãs e irmãos em situação de rua, 9h30 – Praça da Sé – Ato público. Haverá coleta de roupas, sapatos e alimentos no local. [09:40, 04/09/2023] Ari Lili: 8h café da manhã

São Paulo – 7/9 – 9h00 – Praça Oswaldo Cruz/Paulista; Caminhada até Ibirapuera – contra o genocídio do povo negro, indígenas e quilombolas, contra a privatização da Sabesp, em defesa do SUS, pelo fim da violência contra as mulheres, pela prisão de Bolsonaro.

Rio de Janeiro – 4/9 – 19h00 – Jubileu Sul Brasil e Central de Movimentos Populares realizam Pré-Grito local da Pequena África, no Espaço Malungo; 7/9 – 9h00 – Esquina da Uruguaiana com Presidente Vargas. A partir das 16h00, O Samba brilha com todos os excluídos e excluídas – Bar Pingo de Ouro, Cinelândia.

Belo Horizonte – 7/9 – Concentração na Praça Vaz de melo, próximo ao metrô da Lagoinha, às 10h – saída em Marcha Popular Fora Zema.

Salvador – 01/9 – 13h30 – VII Gritinho dos Excluídos – no salão paroquial Nossa Senhora da Conceição/Periperi; com apresentações de capoeira e violação com as crianças e adolescentes dos Centros Comunitários do Subúrbio Ferroviário, e volta em torno da Praça da Revolução; atividade realizada pela Pastoral do Menor Arquidiocesana, 6/9 – 9h00

Fortaleza – 7/9 – às 8h30 – concentração Avenida Jornalista Tomaz Coelho, 2050, Praça Antonio Correia; Caminhada pelas ruas do bairro até à Praça da Igreja Matriz de Messejana, em Fortaleza.Além de trazer todos os gritos de grupos e pessoas com quem as pastorais sociais, CEBS e organismos da Arquidiocese de Fortaleza e movimento populares e sociais trabalham, o Grito quer denunciar todos os tipos de violências contra as juventudes das periferias, as mulheres e homens trabalhadoras e trabalhadores, especialmente a luta das mães do Curió, cujos filhos foram assassinados na Chacina em novembro de 2015.

Porto Alegre – 2/9 – 14h00 – pré Grito no modulo da Praça da Vila Barracão, no bairro Cruzeiro é grande bairro popular Porto Alegre.

Manaus (Arquidiocese) – 31/08 – Coletiva de Imprensa; 7/9 – 15h00 – concentração no Centro Estadual de Convivência da Família Pedro Vignola, – Cidade Nova; 16h00 – missa amazônica; 17h00 caminhada até Memorial do Cruzeiro, Cidade Nova II.

A programação nacional do 29º Grito dos Excluídos e Excluídas pode ser conferido aqui.

(*) Com informações da Agência Brasil


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