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Truculência

Famílias são despejadas com violência de acampamentos do MST na Bahia

Dois adultos e uma criança de 3 anos foram atingidos por balas de borracha. Casas e uma escola foram destruídas por policiais federais e militares
Publicado por Cida de Oliveira, da RBA
18:49
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Reprodução

Na ação de despejo, foram destruídas casas e até a escola, onde estudavam mais de 200 filhos de agricultores

São Paulo – Agentes da Polícia Federal e da Polícia Militar, acompanhados de milícias locais, usaram de violência ao despejar cerca de 600 famílias de trabalhadores rurais na manhã de hoje (25), de áreas dos acampamentos Abril Vermelho, Iranir de Souza e Irmã Dorothy, em Casa Nova, no norte da Bahia.

De acordo com o coletivo de comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), portões foram arrombados pelos policiais, que dispararam bomba de gás, spray de pimenta e balas de borracha, trazendo muito medo e tensão entre as famílias. Três pessoas foram atingidas por balas de borracha. Uma jovem de 19 anos, sua filha de três anos e um idoso, com ferimentos na cabeça. Uma mulher foi agredida e também teve a cabeça machucada.

Casas e até a escola foram destruídas. A um mês de terminar o ano letivo, mais de 200 alunos ficaram apavorados com a violência e imploraram para que a escola construída por seus país não fosse derrubada. Mas não foram atendidos. Puderam apenas retirar seus pertences pessoais antes que o trator pusesse tudo a baixo.

Histórico

Em 12 anos de ocupação, assentamentos produzem alimentos, conhecimento e dignidade (Fotos: MST/BA)

Em abril de 2007, antes de ser inaugurada a primeira etapa do Perímetro Irrigado Salitre, cerca de mil famílias do MST construíram o Acampamento Vale do Salitre, nas proximidades de uma das casas de bombas mantidas pela
Codevasf, exigindo infraestrutura para assentamentos e acampamentos, além do cumprimento do acordo de Assentar 800 famílias na área do projeto Salitre.

No ano seguinte, as famílias deixaram o local pacificamente, em cumprimento a um acordo com o governo federal, do Estado, Incra e Codevasf, que ofereceu uma área próxima à barragem de Sobradinho, na qual todas as 800 famílias seriam assentadas. No entanto, apenas 600 famílias foram assentadas.

Em abril de 2012, cerca de 400 famílias ocuparam a área da Agrovale, no Perímetro Irrigado Salitre, em Juazeiro. Apesar de improdutiva, porém já contava com estrutura para o fornecimento de água. Nesse mesmo período foram ocupadas mais duas áreas no perímetro irrigado Nilo Coelho, em Casa Nova, palco de violência nesta segunda-feira.