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Pacote de Bolsonaro para o trânsito desagrada apoiadores: “Não sei o preço de uma cadeirinha, mas sei de um caixão”

Até deputada da base governista considera que projeto de lei apresentado pelo presidente favorece maus motoristas e aumentará acidentes e mortes nas estradas e cidades
Publicado por Clara Assunção
12:15
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Reprodução

Deputada Christiane Yared (PL-PR) é da base do governo Bolsonaro na Câmara, e diz que mudanças colocarão em risco vida da população

São Paulo – Em sessão do Congresso Nacional nesta quarta-feira (5), a deputada Christiane Yared (PL-PR) criticou o Projeto de Lei (PL) 3.267, do presidente Jair Bolsonaro, que altera o Código de Trânsito Brasileiro. Christiane, que há 10 anos teve um filho morto em decorrência de um acidente de trânsito avalia que a redução da fiscalização e punição colocará em risco a vida da população.

“Eu não sei o valor de uma cadeirinha, mas sei o valor de um terreno no cemitério. Eu sei quanto custa um caixão, eu paguei o caixão do meu filho. Eu sei quanto custa choro, flores”, declarou a deputada.

Em 2009, seu filho, Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, foi morto após ser atingido pelo carro do então deputado estadual Luiz Fernando Carli Filho (PSB-PR) que dirigia alcoolizado a 170 quilômetros por hora, de acordo com laudos periciais. Durante sua fala na sessão, a deputada, que ingressou na câmara para defender pautas relacionadas ao tráfego no Brasil, fez um apelo ao presidente, de quem é base no Legislativo.

O PL entregue nesta terça-feira (4) ao Congresso por Bolsonaro suspende a aplicação de multas a motoristas que transportem crianças sem as chamadas cadeirinhas de retenção, além de elevar de 20 para 40 pontos o limite para cancelamento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e ampliar a validade do documento para 10 anos.

Eleitor do presidente, o ativista Fernando Diniz afirmou em reportagem da BBC News Brasil não ter “a menor dúvida de que as mudanças nas regras vão aumentar a violência no trânsito”. “Não aceito o aumento do limite de 20 para 40 pontos. Isso só vai beneficiar aqueles que cometem irregularidades”, analisa Diniz, fundador da associação Trânsito Amigo, que reúne parentes, amigos e vítimas de acidentes de trânsito.

Para ser aprovado, o PL deverá passar ainda por discussão e votação na Câmara e no Senado antes de ser sancionado pela Presidência da República.