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Jovens incriminados por ‘crimes que viriam a ser cometidos’ terão nova audiência dia 10

Advogada Ana Lucia Marchiori, que defende os 18 jovens vítimas de emboscada armada por oficial do Exército - o caso Balta -, pede solidariedade e pressão sobre o governo, Corregedoria da PM, TJ e PGR
Publicado por Redação RBA
15:19
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Reprodução
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Ato em apoio aos 18 jovens, incriminados depois prisão em ação que contou com dez viaturas, um ônibus e até helicóptero

São Paulo – Por meio das redes sociais, a advogada Ana Lucia Marchiori pede apoio à sociedade, para que faça pressão sobre o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o Tribunal de Justiça paulista, a Corregedoria da Polícia Militar e até sobre a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em favor dos 18 jovens que estão sendo processados por “crimes que viriam a ser cometidos no futuro”.

Os jovens, que terão nova audiência no próximo dia 10 (sexta-feira), foram incriminados após caírem em emboscada armada pelo então capitão do Exército William Pina Botelho, por meio de uma rede social. O militar usou nome falso de Balta Nunes para se aproximar dos jovens.

No dia 4 de setembro do ano passado, 22 estudantes foram presos no Centro Cultural São Paulo, que supostamente iriam participar de um protesto “Fora Temer”. Um deles, porém, não ia à manifestação.

Em uma ação sem mandado judicial comandada pelo então capitão, hoje major, eles foram surpreendidos por dez viaturas, um ônibus e até um helicóptero. A Polícia e o Exército negam que a operação tenha sido pré-articulada.

Segundo vídeo veiculado na página pessoal da advogada no Facebook, a atuação é um resquício do aparato articulado para a Copa e as Olimpíadas, que inclui lei antiterrorista, maior presença do exercito nas zonas urbanas e coletas de dados em aplicativos que se configuram como aparato de repressão política e não segurança pública.

Tanto é que, no episódio do Centro Cultural São Paulo, os jovens foram levados para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), órgão especializado em crime organizado, e não para uma delegacia comum, como seria o caso.

Há indícios, segundo a mensagem da advogada, de que itens foram plantados entre os pertences dos jovens, inclusive uma barra de ferro, atribuída a um estudante que nem levava mochila. Liberados pela Justiça no dia seguinte, foram acusados novamente em dezembro pelo Ministério Público, por corrupção de menores e associação criminosa.

A investigação sobre então capitão infiltrado foi arquivada pela justiça militar, ele acabou promovido, e os estudantes processados. “Democracia pressupõe a liberdade de reunião e uma justiça que não seja forjada para a manutenção do status quo. A prisão por crimes que não foram cometidos, alegando que seriam cometidos no futuro, é absurda, o governo quer dar uma amostra de que pode acontecer com quem protestar contra ele”, diz a mensagem no vídeo.